ONU deve desempenhar papel central em crises globais, diz especialista

Nações Unidas, 20 jun (EFE) - O assessor da ONU para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), Jeffrey Sachs, afirmou hoje que Nações Unidas devem desempenhar um papel central na resolução das crises energética, alimentícia e ambiental que atravessa o planeta. A ONU tem que desempenhar um papel central, porque são problemas interligados que nenhum país por si só pode enfrentar, assegurou Sachs em entrevista coletiva. O economista americano da Universidade de Colúmbia, em Nova York, afirmou que a escala dos desafios que afetam todo o planeta requer uma resposta coletiva sem precedentes dos líderes políticos, que ainda não foi vista. Não falamos de problemas a longo prazo, ou de ricos e pobres, trata-se de algo imediato que afeta todos, ressaltou. Sachs disse que a escalada dos preços do petróleo, o custo dos alimentos e as conseqüências do aquecimento global constituem três abalos macroeconômicos de primeira magnitude. Ele considerou ingênuo pensar que a saída ao problema energético do planeta seja encontrar novas reservas de petróleo ou que os aumentos do preço do barril se resolverão sozinhos. A atual situação do mercado dos combustíveis se deve a um desequilíbrio entre uma demanda em crescimento, fruto do desenvolvimento econômico global, e uma oferta que é incapaz de satisfazê-la. Por isso, reduziu a importância do papel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ou dos especuladores na atual crise de preços, e...

EFE |

"Até agora, tudo se resumiu a tentar conseguir petróleo, e tudo girava em torno do petróleo, e isso já não funciona", advertiu.

Sachs apontou que a única conclusão lógica à situação é a busca entre o setor público e o privado de novas fontes de energia que substituam a commodity e não agravem o aquecimento global.

Por isso, criticou os subsídios concedidos pelo Governo dos Estados Unidos à produção de etanol procedente do milho, que tem um limitado benefício ambiental e é um dos fatores por trás da escalada dos preços mundiais dos cereais, segundo o especialista.

"Não acho que os cidadãos americanos se dêem conta de que estão pagando por algo que provoca o aumento do custo de seus alimentos e não tem um benefício ambiental líquido", destacou.

Sachs disse esperar que a crise alimentícia esteja no topo da agenda da cúpula do G8 (sete nações mais ricas do mundo e a Rússia), realizada no Japão em julho, particularmente o financiamento de distribuição de alimentos às povoações em perigo de desnutrição.

Mas, a longo prazo, destacou que a única saída é um maior investimento em agricultura, particularmente nos países em desenvolvimento, onde as colheitas podem aumentar de forma considerável se contam com técnicas e instrumentos modernos.

"A África poderia aumentar sua produção nos próximos três ou quatro anos acima do que atualmente é importado" pelos países desse continente, assegurou o economista. EFE jju/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG