ONU detecta crimes contra a humanidade no Sudão e na RDC

Genebra, 21 dez (EFE).- Os ataques cometidos no Sudão e na República Democrática do Congo (RDC) pelos guerrilheiros ugandenses do Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês) podem ser considerados crimes contra a humanidade e crimes de guerra, segundo relatórios divulgados hoje pela ONU.

EFE |

Ambos os documentos, elaborados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, narram atrocidades cometidas contra crianças, mulheres e homens civis.

Ainda de acordo com os relatórios, a onda de ataques do LRA na RDC entre setembro de 2008 e junho de 2009 causou o deslocamento de 230.000 pessoas e a morte de pelo menos 1.200 civis. Entre estes, estariam 600 crianças e 400 mulheres.

"Estes ataques e as violações dos direitos humanos cometidas sistematicamente podem constituir crimes de guerra e contra a humanidade", ressalta o relatório, que narra assassinatos, mutilações, torturas e múltiplas violações sexuais.

"As mulheres e as meninas foram frequentemente estupradas antes de serem assassinadas. Muitas outras foram sequestradas e obrigadas a ser escravas sexuais", acrescenta.

Os textos também descrevem os roubos e a destruição levados a cabo.

O relatório destaca que os piores ataques do LRA na RDC começaram em dezembro de 2008, após as ofensivas lançadas pelo Exército congolês e da Monuc contra a guerrilha.

"Em resposta, o LRA lançou uma série de ataques sistemáticos e com características militares contra a população civil", acrescentam os relatórios.

Já o documento sobre o Sudão engloba os ataques cometidos pelo LRA entre dezembro de 2008 e março de 2009. Neles, "pelo menos 81 civis foram assassinados e muitos outros, entre mulheres e pelo menos 18 crianças foram feridos, mutilados, violentados e sequestrados, e obrigados a trabalhar como soldados, escravos sexuais ou espiões".

Inúmeras mulheres foram estupradas durante ou depois dos ataques.

Além disso, os povoados atacados foram saqueados e parcial ou totalmente destruídos.

No sul do Sudão, onde LRA foi buscar abrigo de uma ofensiva conjunta dos Exércitos de Uganda e da RDC, várias testemunhas disseram que os guerrilheiros operam em grupos de cinco a 20 homens armados com machetes, machados, baionetas, facas e armas de fogo.

EFE vh/sc

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