ONU desmente presença de combatentes em escola atacada por Israel em Gaza

A ONU desmentiu nesta quarta-feira a presença de combatentes palestinos em uma escola administrada por uma de suas agências na Faixa de Gaza, onde mais de 40 pessoas morreram na terça-feira em um ataque israelense.

AFP |

Israel afirmou que sua artilharia abriu fogo contra a escola porque, segundo o Estado hebreu, combatentes palestinos haviam se posicionado no local para disparar morteiros contra suas tropas, que executam uma ofensiva sem precedentes contra o movimento radical islamita Hamas.

"Depois de uma investigação preliminar, temos 99,9% de certeza que não existiam ativistas nem atividades militares na escola", declarou à AFP Chris Gunness, porta-voz da Agência das Nações Unidas para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA).

"Pedimos uma investigação independente. Se as leis da guerra foram violadas, os culpados terão que comparecer à justiça", acrescentou.

Segundo fontes médicas palestinas, 43 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas no ataque, enquanto que a ONU forneceu um balanco de 30 mortos e 55 feridos.

Duas outras escolas haviam sido atacadas na noite de segunda-feira na cidade de Gaza e cinco palestinos morreram.

"Os primeiros elementos de que dispomos é que houve disparos hostis contra uma de nossas unidades a partir de uma instalação da ONU. Nós respondemos", afirmou na terça-feira o porta-voz do governo israelenes, Mark Regev, depois do ataque.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou estar "profundamente consternado" e qualificou de "totalmente inaceitáveis" os ataques israelenses a três escolas patrocinadas pela ONU na Faixa de Gaza.

Em comunicado, Ban Ki-moon destaca que as localizações dessas escolas, que serviram de refúgio aos palestinos desabrigados pela ofensiva israelense, "haviam sido comunicadas às autoridades israelenses e eram conhecidas pelo Exército hebreu.

"Isso não impediu a tragédia de hoje e estou profundamente consternado. Esses ataques por forças israelenses, que põem em perigo as instalações da ONU utilizadas como abrigo, são totalmente inaceitáveis e não devem se repetir", acrescentou.

"Depois dos primeiros ataques, o governo israelense foi advertido de que suas operações estavam pondo as instalações da ONU em perigo", disse Ki-moon. "Estou profundamente consternado com o fato de que, apesar desses esforços, as tragédias de hoje continuaram".

ga/fp/cn

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