ONU descarta que sua investigação determine autoria do assassinato de Bhutto

Nova Délhi, 17 jul (EFE).- O embaixador do Chile na ONU, Heraldo Muñoz, que está à frente da comissão criada para esclarecer a morte da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, reiterou hoje que a investigação se limitará a determinar os fatos e circunstâncias do assassinato, e não a autoria.

EFE |

Em entrevista coletiva, em Islamabad, retransmitida ao vivo pelo canal privado "Dawn", Muñoz insistiu em que não é uma "investigação criminal", já que a prerrogativa de determinar os culpados do assassinato corresponde ao Governo paquistanês.

"O acordo ao qual chegaram o Governo e a ONU é que investiguemos os fatos e as circunstâncias (do assassinato). Qualquer investigação criminal está nas mãos das autoridades paquistanesas", explicou.

Muñoz disse que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considera esta investigação "uma das prioridades máximas" do organismo, e prometeu "objetividade, independência e profissionalismo" no trabalho.

O diplomata chileno fez uma chamada a todos os paquistaneses que souberem detalhes sobre o fato que entrem em contato com a ONU, e detalhou que sua equipe "entrevistará todos os indivíduos e organizações" que quiserem colaborar.

A equipe liderada por Muñoz chegou ontem ao Paquistão e é integrada também pelo advogado indonésio Marzuki Darusman e pelo diplomata irlandês Peter Fitzgerald.

Segundo o canal "Geo", dois membros da ONU já tiraram ontem fotos do lugar onde Bhutto morreu, na cidade de Rawalpindi, perto de Islamabad.

Bhutto pronunciou neste local seu último discurso, em 27 de dezembro de 2007, pouco antes de um suicida detonar sua carga explosiva, quando a líder cumprimentava seus simpatizantes de seu carro.

Em janeiro, uma equipe da Scotland Yard investigou a morte de Bhutto e determinou que ela morreu ao bater a cabeça por efeito da força da explosão, a mesma versão sustentada pelo Governo do então presidente Pervez Musharraf, que apontou como responsável o líder talibã Baitullah Mehsud.

No entanto, a família de Bhutto e sua legenda, o Partido Popular do Paquistão (PPP), sustentou que ela morreu devido aos tiros disparados por um homem antes do atentado suicida, e apostou em um envolvimento dos serviços secretos paquistaneses (ISI).

Quando o PPP venceu as eleições e chegou ao poder, pediu uma investigação da ONU, anunciada por Ban Ki-moon em fevereiro deste ano.

A comissão prevê entregar seu relatório no final de dezembro ao secretário-geral da ONU. EFE amp/an

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