ONU denuncia discriminação por gripe A, que duplica nos EUA e chega ao Brasil

A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu nesta sexta-feira como discriminatórias as quarentenas impostas segundo critérios de nacionalidade para conter a gripe suína, que, embora contida no México, país de origem, teve o número de contágios duplicados nos Estados Unidos e já se propagou para países do hemisfério sul como Brasil e Argentina.

AFP |

"Ninguém deveria ser colocado em quarentena apenas por sua nacionalidade", afirmou em Genebra o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville.

"Estas medidas são claros e inaceitáveis atos de discriminação com efeitos negativos evidentes para os direitos das pessoas afetadas, incluindo possíveis prejuízos econômicos, por exemplo nas viagens de negócios", completou Colville.

Colville mencionou o caso de mexicanos sem sintomas da gripe, que não estavam no México a semana passada e mesmo assim foram colocados em quarentena.

O México, epicentro do vírus A (H1N1), denunciou no fim de semana passado atos de discriminação contra cidadãos mexicanos aos quais a China impôs uma quarentena, apesar de nenhum deles apresentar sintomas da doença.

Com o número de mortos elevado para 45 e 1.319 casos de contágio, o ministro da Saúde mexicano, José Angel Córdova, reduziu o nível do alerta sanitário na capital mexicana de laranja para amarelo, e assim a cidade pôde reabrir seus bares, discotecas, cinemas, teatros e estádios.

Hong Kong também levantou o isolamento de uma semana que pesava sobre 300 pessoas num hotel por temor do vírus A (H1N1).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fala de um retrocesso na doença, mas pediu para que não se baixe a guarda.

Segundo a agência da ONU, 25 países foram oficialmente atingidos pela gripe suína, com a confirmação dos quatro casos no Brasil.

No total, 2.500 casos confirmados foram registrados em todo o mundo, destacou em coletiva transmitida por telefone Sylvie Briand, responsável pelo programa sobre a gripe da OMS. Briand não detalhou o número de casos por país. O número de mortos não evoluiu, ficando em 44.

"Ainda estamos no nível cinco (da alerta sanitária), o que significa que não temos a prova da propagação do vírus dentro de uma população", explicou Briand. Considerando que uma pandemia de gripe suína é "iminente", a OMS decretou em 29 de abril um alerta de nível cinco (num total de seis níveis).

As autoridades sanitárias brasileiras destacaram na noite de quinta-feira que três das pessoas portadoras do vírus mutante A (H1N1) eram procedentes do México, e uma dos estados Unidos. Todos são jovens, e passam bem.

O balanço nos dois países mais atingidos pela gripe suína continua o mesmo: 1.112 casos, entre eles 42 mortais, no México; e 896 casos, dois deles fatais, nos Estados Unidos.

Ainda nesta sexta, as autoridades sanitárias dos Estados Unidos informaram que os casos confirmados de gripe A H1N1 chegam a 1.639, 743 a mais que na véspera em 43 estados, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Enfermidades (CDC).

Isso fez o presidente Barack Obama afirmar que seu país ainda não está livre do problema, advertindo sobre a possibilidade de uma epidemia mais virulenta mais adiante.

"Vimos que o vírus não foi tão violento como temíamos a princípio, mas ainda não estamos livres do problema, ainda devemos tomar precauções".

O presidente felicitou ainda o pessoal do CDC pelo trabalho realizado para conter a epidemia de gripe A (H1N1).

Os Estados Unidos têm assim mais casos confirmados do que o México, que até o momento era considerad o país mais afetado pela epidemia.

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