ONU denuncia aumento de deslocados e de violência sexual na RDC

Genebra, 24 jul (EFE).- As Nações Unidas denunciaram hoje que aumentou o número de deslocados internos e de casos de violência sexual na República Democrática do Congo (RDC), devido à campanha de desarmamento forçado das Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR).

EFE |

"Milhares de congoleses fugiram da última onda de violência na província de Kivu Sul, no leste da RDC. Pelo menos 35 mil pessoas se instalaram na planície do rio Ruzizi, na fronteira do país com Ruanda e Burundi", disse hoje, em entrevista coletiva, o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), Ron Redmond.

O número de deslocados pelos conflitos na RDC, desde o início dos conflitos em agosto de 2008, já chega a 1,8 milhões de pessoas, 536 mil das quais fugiram de Kivu Sul, desde janeiro.

Por outro lado, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) denunciou hoje que "em Kivu Norte e Sul ainda há muitos crimes contra civis, incluindo casos de violação, homicídio, saque e destruição de casas".

Segundo um estudo independente realizado pela organização, "28% das pessoas entrevistadas na RDC conhece alguém que foi vítima de violência sexual e 76% foi afetado de alguma maneira pelo conflito armado".

"A maioria das vítimas de violações são mulheres, mas o número de vítimas homens e crianças aumentou", afirmou a organização.

Além disso, destacou que "a proliferação de armas pequenas e ligeiras gera um risco maior de violência sexual, inclusive em zonas onde já não há enfrentamentos".

"Em um contexto de conflito armado, a violência sexual é um crime de guerra proibido pelo direito internacional humanitário. Por isso, é muito importante que a violência sexual não seja considerada um mero derivado da guerra", disse a assessora do programa "Mulheres e Guerra", do CICV, Nadine Puechguirbal.

Sobre a ajuda recebida pelas vítimas no país, a assistente social Micheline Mupenzi disse que "elas podem morrer se suas 'feridas internas' não forem levadas em consideração. Algumas mulheres retornam a seus lares e param de comer, não fazem nada além de chorar e, eventualmente, morrem por um esgotamento mental e físico." EFE mrm/pd

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