ONU declara crise de fome em mais três áreas da Somália

Organização eleva para cinco número de regiões do país africano onde situação humanitária é crítica

iG São Paulo |

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta quarta-feira que a crise de fome atingiu três novas áreas do sul da Somália. Em julho, a ONU já havia denunciado a situação nas regiões de Bakool e Baixa Shabelle .

AP
Famílias do sul da Somália descansam na rua de Mogadíscio antes de ir para campo de deslocados

De acordo com a Unidade de Análise da ONU para a Segurança Alimentar e Nutrição (FSNAU, na sigla em inglês), também há crise de fome no assentamento de deslocados do corredor de Afgoye, na comunidade de deslocados de Mogadíscio, e nos distritos de Balaad e Adale, localizados na área de Middle Shabelle.

Até 409 mil somalis estão registrados na zona do corredor de Afgoye, o maior acampamento de deslocados do mundo, de acordo com a ONU.

Segundo a organização, a situação é mais grave no sul da Somália porque a região é comandada por rebeldes islâmicos do grupo Al-Shabab, que impedem a atuação das agências humanitárias.

Em julho, o porta-voz do Al-Shabab, que tem ligações com a Al-Qaeda, negou a existência de uma crise de fome . Ali Mohamud Rage também afirmou que está mantido o veto à entrega de ajuda humanitária internacional às regiões controladas pelo grupo, no sul do país.

O próprio porta-voz havia anunciado cerca de um mês antes que as agências humanitárias muçulmanas ou não voltariam a ter permissão para entrar na Somália se não tivessem “segundas intenções”. No entanto, ele voltou atrás. “As agências que banimos continuam banidas. Elas estão envolvidas em atividades políticas”, disse.

Rage afirmou que a ONU fez “propaganda” ao declarar crise de fome nas regiões de Bakool e Baixa Shabelle. "Há uma grande seca na Somália, mas não há fome. O que a ONU diz é 100% falso", disse.

A crise de fome ocorre quando dois adultos ou quatro crianças por grupo de 10 mil pessoas morrem de fome a cada dia e 30% das crianças são seriamente desnutridas. 

As estimativas indicam que cerca de 10 milhões de pessoas no Leste da África foram afetadas por uma das maiores secas dos últimos 50 anos, que levou dezenas de milhares de somalis a tentar fugir para Quênia e Etiópia.

Com AFP e BBC

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