ONU dá mais 5 meses para Israel e palestinos investigarem crimes em Gaza

Nações Unidas, 26 fev (EFE).- A Assembleia Geral das Nações Unidas adotou hoje uma resolução que dá cinco meses mais a Israel e aos palestinos para investigarem possíveis crimes de guerra na Faixa de Gaza, tal como denunciou em 2009 o relatório Goldstone.

EFE |

A resolução, patrocinada pelo grupo de países árabes, recebeu o voto propício de 98 nações, enquanto sete votaram contra e outros 31 se abstiveram.

"É hora de reverter e pôr fim ao comportamento destrutivo e obsceno de Israel, e isso começa garantindo que sejam cobradas responsabilidades e se castiguem os responsáveis de crimes de guerra", disse em sua intervenção perante o plenário o representante palestino na ONU, Riad Mansur.

O diplomata palestino também assinalou que as investigações feitas por Israel até o momento descumprem as condições de ser independentes e críveis, tal como estabelece o relatório Goldstone.

A embaixadora de Israel na ONU, Gabriela Shalev, assegurou que os procedimentos abertos por seu país sobre a atuação de seus soldados em Gaza no ano passado "cumprem com os padrões internacionais".

"Israel, que enfrenta uma ameaça mortal contra sua existência, mantém o compromisso de respeitar o direito internacional e as leis dos conflitos armados", afirmou a diplomata israelense.

Além disso, Shalev colocou em dúvida a capacidade do grupo palestino de investigar com credibilidade e independência as ações do movimento radical islamita Hamas durante esse conflito, a cujos milicianos acusou de "utilizar a sua população civil como escudos humanos".

O relatório Goldstone, elaborado por uma comissão da ONU presidida pelo juiz sul-africano Richard Goldstone, acusou no ano passado Israel e o Hamas de ter cometido crimes de guerra durante o conflito de dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

O documento aprovado adverte israelenses e palestinos que se descumprirem o novo prazo, poderiam ser propostas medidas contra si em outros foros das Nações Unidas, como o Conselho de Segurança.

Da mesma maneira, reitera seu apelo ao Governo israelense e ao "grupo palestino" para que realizem investigações "independentes, críveis e conformes os padrões internacionais" sobre as violações denunciadas pelo relatório Goldstone.

Para a organização defensora dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), nem Israel nem Hamas "realizaram investigações independentes, portanto os membros das Nações Unidas têm que se assegurar que faz-se justiça às vítimas civis de todos os lados".

O presidente da Assembleia Geral, o líbio Ali Abdesselam Treki, convocou essa câmara após receber um relatório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que assinalava não poder determinar se Israel e as autoridades palestinas realizaram pesquisas "críveis" sobre Gaza.

Ban explicou em seu relatório do dia 4 de fevereiro que os dois lados ainda têm investigações não conclusas.

Cerca de 1.400 palestinos, em sua maioria civis e mais de uma quinta parte deles menores, morreram durante os 23 dias da ofensiva lançada pelo Exército israelense contra o Hamas, segundo contagens de hospitais locais e de ONG israelenses, palestinas e internacionais. EFE jju/ma

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