ONU contrata haitianos para ajudar na reconstrução do país

Joaquim Utset. Nações Unidas, 20 jan (EFE).- A ONU começou a implementar hoje seu plano para a reconstrução do Haiti ao lançar um programa de emprego para os desabrigados pelo terremoto, com o intuito de reativar a atividade econômica e evitar que o desespero desestabilize ainda mais o país.

EFE |

Em um primeiro passo, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) contratou 400 pessoas para participar dos trabalhos de remoção dos escombros e reparo das infraestruturas na região de Carrefour-Feuilles, ao sul de Porto Príncipe.

"É muito importante lançar estes programas de dinheiro em troca de trabalho, para assim envolver os próprios haitianos na reconstrução e diminuir a dependência deles em relação à entrega de ajuda humanitária", disse à imprensa a costarriquenha Rebeca Grynspan, a número dois da agência de desenvolvimento da ONU.

Grynspan ressaltou que mais 700 pessoas vão ser contratadas até o fim desta semana. A médio prazo, calcula-se aproximadamente 200 mil haitianos vão ser empregados, o que beneficiaria indiretamente cerca de um milhão de pessoas.

"(Contratar) 700 pessoas é um ponto de partida. Limparemos ruas, retiraremos escombros e realizaremos outras atividades que também facilitarão as operações humanitárias", ressaltou a costarriquenha, segundo quem o salário oferecido pelo Pnud é de US$ 5 ao dia.

A ONU, por enquanto, dispõe de US$ 4 milhões para o programa. Mas pediu mais US$ 35,6 milhões à comunidade internacional para que possa financiar a iniciativa pelos próximos seis meses.

O terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou o Haiti em 12 de janeiro matou mais 100 mil pessoas e deixou 1,5 milhão de desabrigados, segundo números do Governo haitiano.

O Banco Mundial (BM), por sua vez, disse que o tremor destruiu mais de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país caribenho, que já era o mais pobre da América.

Segundo o espanhol Pablo Ruiz Hiebra, especialista do Pnud em prevenção e recuperação de catástrofes, os programas de "dinheiro em troca de trabalho" podem ser considerados o primeiro passo em um processo de reconstrução, junto com os resgates e a distribuição da ajuda humanitária.

"O que se consegue é injetar dinheiro na comunidade" e ativar a economia, disse à Agência Efe o técnico das Nações Unidas, que acrescentou que a reconstrução do Haiti poderá durar de três a cinco anos.

Hiebra lembrou que o programa implementado hoje na região metropolitana da capital haitiana foi inspirado em uma iniciativa similar adotada pelo Pnud após os furacões que destruíram o país em 2008, quando 800 haitianos morreram e 165 mil famílias ficaram desabrigadas.

O espanhol ressaltou que um ponto fundamental neste esforço é o envolvimento do Governo haitiano na organização e na execução dos programas.

O pessoal das Nações Unidas já está nas áreas mais afetadas para fazer um diagnóstico completo das necessidades e ajudar na elaboração de um plano eficaz para a reconstrução, a ser apresentado em uma futura conferência de doadores, acrescentou o técnico.

Caso o financiamento seja assegurado, os primeiros resultados do processo de reconstrução começarão a aparecer em um ano, disse Hiebra, que trabalhou no Sri Lanka após o tsunami de 2004 e passou quatro anos no Haiti.

O espanhol destacou que outro aspecto importante no processo de reconstrução é reativação do setor privado.

Ainda nesta semana, a Assembleia Geral da ONU deve se reunir para analisar a situação no país caribenho e os esforços da comunidade internacional para ajudar os desabrigados. EFE jju/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG