ONU continua tentando convencer Governo de Mianmar a mudar de atitude

Nações Unidas, 16 mai (EFE).- A ONU continua insistindo em tentar convencer o Governo de Mianmar (antiga Birmânia) a mudar de atitude perante o aumento das críticas internacionais à sua inadequada operação de ajuda aos milhões de desabrigados pela passagem do ciclone Nargis.

EFE |

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, deve se reunir com representantes do Governo birmanês quando chegar a Yangun, no domingo, mas o encontro ainda não foi confirmado, disse hoje à agência Efe seu porta-voz, Stéphanie Bunker.

"O que normalmente acontece neste tipo de viagem são reuniões de autoridades, funcionários da ONU, das ONGs e doadores. Isso é o que esperamos que ocorra neste caso também", assinalou.

Holmes viajará a Mianmar, onde permanecerá até o dia 21 de maio, com a orientação expressa do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para acelerar a distribuição de ajuda, um processo que para a organização multilateral está sendo muito lento.

Ban assinalou hoje, em reunião a portas fechadas com embaixadores na Assembléia Geral da ONU, que o diplomata britânico entregará uma carta à cúpula militar birmanesa na qual expressa a vontade das Nações Unidas de ampliar a colaboração nas operações de socorro.

A carta é a terceira que Ban remete ao chefe da Junta Militar de Mianmar, o general Than Shwe, que também ignorou as ligações telefônicas do secretário-geral das Nações Unidas.

O embaixador da França perante a ONU, Jean Maurice Ripert, assegurou na saída da reunião que estava "surpreso" com a insistência do secretário-geral de que é preciso convencer os militares birmaneses a deixarem ajudar a seu povo.

"É algo totalmente inaceitável", afirmou o diplomata francês.

Ele reiterou que seguirá invocando perante o Conselho de Segurança o conceito sobre a "responsabilidade de proteger" que a ONU adotou em 2005, e que permite à comunidade internacional atuar em casos nos quais os Governos não evitem genocídios, limpezas étnicas ou crimes de lesa-humanidade.

"É verdade que não se incluíram os desastres naturais, pois não havia ocorrido a ninguém que um Governo se atreveria a deixar de prestar assistência à sua própria população em um caso de desastre natural", apontou.

Ripert insistiu que "o importante agora não são as palavras, mas a ação" porque "há vidas em perigo".

A França, com o respaldo do Reino Unido e dos EUA, pressionou o Conselho de Segurança para que adote uma postura firme perante Mianmar, mas China, Vietnã e outros membros do órgão se recusam a interferir no que consideram um "problema interno".

As críticas de Ripert à atuação do Governo birmanês fizeram com que o embaixador do país, Kyaw Tint Swe, lhe interrompesse e acusasse Paris de enviar "um navio de guerra" à zona.

Ripert replicou, explicando que o navio da Marinha francesa que navega rumo a essas águas transporta 1.500 toneladas de ajuda, e não é uma embarcação de combate.

As Nações Unidas considera que a distribuição de assistência humanitária continua sendo insuficiente para poder atender as necessidades urgentes dos desabrigados, que oscilam entre 1,6 e 2,5 milhões de pessoas.

As autoridades birmanesas elevaram hoje para cerca de 78 mil o número de mortos por causa do ciclone, e para 56 mil o de desaparecidos, embora organizações internacionais considerem que o número real possa superar os 100 mil. EFE jju/gs

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