ONU constata que a saúde das cidades diminui conforme crescem

Manuel Pérez Bella. Rio de Janeiro, 19 mar (EFE).- A ONU alertou hoje que a saúde das grandes cidades do planeta está diminuindo conforme crescem, criando megalópoles dispersas e desiguais, nas quais as favelas e a aglomeração não fazem mais que se multiplicar.

EFE |

Estas são várias das conclusões do relatório bienal das Nações Unidas sobre o estado das cidades, lançado na quinta-feira e apresentado hoje pela diretora dp Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Anna Tibaijuka, no Rio de Janeiro, sede do Quinto Fórum Urbano Mundial, que será realizado na semana que vem.

"A deterioração urbana vai avançando. Precisamos de metas mais ambiciosas e acompanhar a urbanização de melhorias no campo que ajudem a atenuar as desigualdades nas cidades", considerou Tibaijuka em entrevista coletiva.

O relatório detalha que na última década os bairros de favelas cresceram a um ritmo de 10% anual, já abrigam 827,6 milhões de pessoas no mundo todo e poderiam ultrapassar os mil milhões de habitantes em pouco tempo se não forem tomadas "medidas drásticas".

No entanto, nestes últimos dez anos 227 milhões de pessoas abandonaram estes bairros miseráveis ao redor do planeta, o que representa terem alcançado amplamente e antecipação de um dos Objetivos do Milênio, estabelecidos pelas Nações Unidas em 2000.

No texto apresentado hoje, a ONU-Habitat destacou várias tendências que estão acontecendo em cidades de todo o mundo, como a coincidência entre urbanização e desenvolvimento, mas também com um aumento das fissuras sociais.

"Constatamos que a urbanização é um indicador de riqueza, mas também contribui para aumentar as desigualdades, os assentamentos informais, as favelas", disse um dos autores do relatório, Eduardo López Moreno.

A urbanização desenfreada está levando, cada vez mais rápido, à fusão das grandes cidades em conurbações ou megalópoles, conglomerados urbanos que constituem os grandes vetores de geração de riqueza do mundo.

Já existem 40 megalópoles no planeta, que concentram 18% da população mundial, 66% da atividade econômica e ao redor de 85% da inovação tecnológica e científica.

A região chinesa de Hong Kong, Shenzen e Guangzhou (Cantão) é lar de 120 milhões de pessoas, enquanto o corredor entre as cidades brasileiras de Rio de Janeiro e São Paulo, a maior conurbação da América Latina, já concentra 43 milhões de pessoas.

Este crescimento descomunal acarreta inumeráveis problemas, como o transporte, que se torna menos ecológico e se encarece por causa dos longos deslocamentos urbanos, que podem chegar até cem quilômetros por dia em cidades como Johanesburgo.

As desigualdades são especialmente marcadas na América Latina e no Caribe, região na qual 21 cidades aparecem na lista vermelha da ONU.

"O índice Gini (que mede as desigualdades sociais) melhorou um pouquinho, mas a América Latina continua sendo a região mais desigual do mundo", afirmou a diretora da ONU-Habitat para a América Latina, Cecilia Martínez.

Atrás das cidades sul-africanas, as mais desiguais do mundo, destacam-se cidades brasileiras como Goiânia, Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.

Na Colômbia preocupa a situação de Bogotá, Barranquilla, Cali e Medellín; e na Argentina, a de Buenos Aires e a de localidades como Formosa e Catamarca.

Na lista da região aparecem outras capitais, como Santiago do Chile, Quito, Guatemala, Montevidéu, Manágua e Cidade do México.

Os problemas que afetam estas cidades são bem conhecidos, como o abarrotamento, a insalubridade e as carências na área de saúde, incluindo dificuldades no acesso à água e aos serviços de saneamento.

Mas, além disso, a fome se agravou, um problema que nas cidades ganha uma dimensão maior que nas zonas rurais e que "já deixou de ser conjuntural porque vem se registrando há 15 anos", segundo os autores do relatório. EFE mp/ma

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