ONU confirma morte de brasileiro Luiz Carlos da Costa

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, confirmou neste sábado que o brasileiro Luiz Carlos da Costa, o segundo na linha de comando da ONU no Haiti, está entre as vítimas do terremoto que devastou o país. O corpo do brasileiro foi encontrado nos escombros do prédio da sede da ONU no país, destruído pelo tremor que atingiu Porto Príncipe na terça-feira.

BBC Brasil |


Reprodução / ONG Viva Rio
Luiz Carlos da Costa, o segundo na linha de comando da ONU no Haiti
Luiz Carlos da Costa, vice-Representante
Especial do Secretário-Geral da ONU
Além de Costa, os corpos do chefe da missão de paz da ONU no país, o tunisiano Hedi Annabi, e do comissário policial da organização no país, Doug Coates, também foram encontrados entre os escombros. "Em todo o sentido da palavra, eles deram suas vidas pela paz", afirmou Ban em um comunicado.

Segundo Ban, Luiz Carlos da Costa foi, durante muitos anos, "uma lenda nas operações de paz da ONU".

"O seu profissionalismo e dedicação extraordinários somente eram comparados ao seu carisma e dedicação a muitos de seus amigos", afirmou o secretário-geral sobre o brasileiro.

Ban afirmou ainda que o "legado de Costa vive nos milhares que servem a bandeira azul da ONU em todo o canto do mundo".

O secretário-geral também elogiou o trabalho de Anabbi, o primeiro no comando da missão no país. Segundo Ban, ele era "um cidadão do mundo" e um "dos mais dedicados filhos das Nações Unidas".

Segundo homem

Luiz Carlos da Costa tinha o cargo de vice-representante do secretário-geral da ONU no Haiti.

Na última quarta-feira, durante uma entrevista coletiva no Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que Costa era o brasileiro que ocupava o mais alto cargo nas Nações Unidas em todo mundo atualmente.

Nascido em 1949, Costa assumiu o cargo no Haiti em novembro de 2005, após ser indicado pelo então secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

Antes disso, Costa já havia servido em missões da ONU na Libéria. Ele trabalhava nas Nações Unidas desde 1969, de acordo com o site da organização. Ainda de acordo com a ONU, ele teria duas filhas.

'Pior desastre'

Ao todo, foram confirmadas as mortes de 14 militares brasileiros, de uma civil, a médica sanitarista Zilda Arns, enterrada neste domingo em Curitiba, no Paraná , e do diplomata Luiz Carlos da Costa.

A Minustah atua no Haiti desde 2004, e conta com 6,7 mil militares, 1,6 mil policiais, 548 civis estrangeiros, além de 154 voluntários.

Dentre os militares da missão das Nações Unidas, 1.266 são brasileiros.

O terremoto haitiano já é um dos eventos que causaram o maior número de mortes entre funcionários da ONU.

Um ataque às instalações da entidade na Argélia, em 2007, matou 41 pessoas, 18 delas trabalhadores da Nações Unidas.

Em 2003, um ataque suicida à ONU na capital iraquiana matou 22 pessoas, incluindo o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Neste domingo, uma porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou, em Genebra, que o terremoto no Haiti é o pior desastre que a ONU já enfrentou em sua história .

"Esse é um desastre histórico. Nós nunca fomos confrontados com esse tipo de desastre na memória da ONU. É como nenhum outro", disse Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da Organização.

De acordo com ela, a dificuldade se deve aos problemas de logística por conta do colapso do governo local e da completa destruição da infraestrutura - o aeroporto está saturado, as ruas bloqueadas, os hospitais têm poucos ou nenhum médico e poucas construções suportaram os tremores.

Byrs comparou o desastre com o tsunami que atingiu a Indonésia em 2004 e afirmou que a situação em Porto Príncipe é "tão ruim quanto ou pior".

"O desastre é enorme e tão enorme quanto foi o tsunami, talvez pior porque todo o país foi decapitado, os prédios do governo desmoronaram e nós não temos o apoio da infraestrutura local. Na Indonésia nós tínhamos pelo menos o apoio de algumas autoridades locais", disse.

Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, lançou um apelo à comunidade internacional para arrecadar US$ 550 milhões para ajudar ao Haiti.

Ban deve chegar ao Haiti no domingo para acompanhar os esforços humanitários em Porto Príncipe.

A porta-voz do Programa Mundial de Alimentos da ONU no Haiti, Myrta Kaulard, disse que a agência espera atender cerca de 40 mil pessoas.

Apesar disso, Kaulard disse reconhecer que cerca de 1 milhão precisam de ajuda em Porto Príncipe.

Veja também:

Leia mais sobre terremoto

    Leia tudo sobre: haiti

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG