ONU confirma morte de 90 civis em bombardeio dos EUA no Afeganistão

Cabul, 26 ago (EFE).- A ONU afirmou hoje que encontrou provas evidentes de que 90 civis, entre eles 60 crianças, morreram na última sexta em um ataque aéreo das forças dos Estados Unidos posicionadas no Afeganistão.

EFE |

O enviado especial da ONU ao Afeganistão, Kai Eide, explicou que uma equipe da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) investigou nos últimos dias o bombardeio, que aconteceu no distrito de Shindand, na província de Herat (oeste).

"A destruição causada pelo ataque aéreo era muito evidente. Sete ou oito casas foram totalmente destruídas e muitas outras sofreram danos", declarou Eide.

"Os aldeães confirmaram o número de vítimas, inclusive seus nomes, idades e sexo", acrescentou o enviado especial da ONU.

"As investigações da Unama encontraram provas convincentes, baseadas nas declarações das testemunhas, de que 90 civis morreram, entre eles 60 crianças, 15 mulheres e 15 homens", reiterou.

As autoridades afegãs também tinham estimado em 90 o número de mortos no ataque aéreo da coalizão liderada pelos EUA no Afeganistão.

O comando militar americano afirmou que 30 supostos talibãs morreram no bombardeio, mas um dia depois se prontificou a investigar o ocorrido.

"Este é um assunto de grande preocupação para a ONU. Deixei várias vezes claro que a segurança e o bem-estar dos civis têm que ser considerados acima de tudo durante o planejamento e a execução de operações militares", afirmou Eide.

O enviado da ONU disse que ataques como o de sexta-feira "minam a confiança do povo afegão nos esforços para construir um Estado justo, pacífico e que respeite e lei".

Eide pediu que as forças internacionais e afegãs "evitem" novos "incidentes trágicos" e expressou suas condolências às famílias das vítimas.

Embora em nenhum momento tenha citado explicitamente a coalizão liderada pelos EUA no Afeganistão, Eide lembrou a "todas as partes envolvidas no conflito" que a proteção dos civis "tem que ser sua máxima preocupação".

O Governo do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, decidiu ontem "revisar" a presença das tropas internacionais no país e "regulamentar" sua responsabilidade por meio de um acordo.

O Executivo afegão constatou em seu comunicado ter discutido "repetidamente" o assunto das baixas civis com as forças internacionais, às quais pediu que "detenham todos os bombardeios aéreos contra alvos civis, especialmente nos povoados afegãos".

Os EUA comandam uma coalizão no Afeganistão dentro da missão antiterrorista Liberdade Duradoura e conta com uma grande maioria de soldados americanos (15 mil), que atuam independentemente da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), sob mandato da ONU. EFE lo/wr/fal

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