Nações Unidas, 6 jan (EFE).- A ONU exigiu hoje que Israel assuma responsabilidades e pediu o início de uma investigação independente sobre o bombardeio nas últimas 24 horas de três dos prédios da organização em Gaza que serviam de abrigo a civis.

"Não vou especular sobre as razões pelas quais fizeram os ataques, estou simplesmente constatando um fato, por isso exijo responsabilidades, algo que, neste conflito, foi muito pouco exigido às duas partes", disse o diretor das operações em Gaza da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), John Ging.

Ele assegurou que as instalações das Nações Unidas bombardeadas estavam identificadas com as bandeiras azuis da organização, e que o Exército israelense tinha recebido as coordenadas dos edifícios.

"As pessoas inocentes de Gaza querem e têm direito a exigir responsabilidades, para que, assim, se imponha o direito, e não o império do fuzil", afirmou Ging em entrevista coletiva concedida via satélite desde o território palestino.

Segundo o responsável da ONU, o primeiro ataque aconteceu na segunda-feira à noite contra uma escola situada em Gaza que abrigava mais de 400 palestinos deslocados pela invasão israelense.

O impacto de um míssil no pátio desse centro de ensino matou três jovens, destacou Ging.

Os outros dois ataques, registrados hoje, foram contra uma clínica no campo de refugiados de Al-Bureij, na qual dez pessoas ficaram feridas, e contra a escola Al Fakhoura, no campo de refugiados de Jabalya.

Este último incidente matou pelo menos 30 pessoas e feriu outras 50, a maioria das quais estava nos arredores do recinto quando três projéteis de artilharia caíram no local.

Fontes médicas palestinas em Gaza afirmam que o número de mortos passa de 40.

O responsável da UNRWA ressaltou que, depois destes três ataques, "não há lugar seguro" para a população do território palestino.

Ging disse que não tem informações sobre a presença de milicianos do grupo islâmico Hamas nos arredores dos três imóveis atacados, nem de que estivessem ocorrendo confrontos na zona.

No entanto, testemunhas em Jabalya disseram que Israel fez os ataques pouco depois que milicianos palestinos dispararam a partir da mesma área com seus morteiros contra as forças israelenses.

As dificuldades para estabelecer as circunstâncias dos bombardeios são a principal razão para iniciar uma investigação, explicou o responsável da UNRWA.

Os mortos na escola de Jabalya elevam a mais de 600 os mortos em Gaza desde que começou a ofensiva israelense, em 27 de dezembro, e a mais de 2.600 os feridos. EFE jju/db

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