ONU cobra atenção também à crise habitacional

Por Megan Rowling LONDRES (Reuters) - Os governos devem resolver problemas no setor habitacional caso queiram controlar a atual crise financeira, disse uma alta funcionária da ONU na quarta-feira.

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Na opinião de Anna Tibaijuka, diretora do Habitat-ONU (Programa de Assentamentos Humanos das Nações Unidas), os atuais problemas no setor de crédito devem ser encarados como uma "crise financeira habitacional".

"Claramente não se pode ter uma sociedade harmoniosa se as pessoas não estiverem seguras em suas casas", disse ela no lançamento do relatório Estado das Cidades do Mundo 2008/2009.

"A crise financeira que enfrentamos hoje não pode ser vista como um fato isolado --é um processo que está se formando com o tempo, e esse processo agora explodiu", declarou ela.

Para Tibaijuka, os governos precisam estimular o acesso a moradias populares, porque a oferta de imóveis acessíveis não pode ficar apenas nas mãos do mercado.

O relatório da ONU revela que grandes cidades dos EUA, como Washington, Nova York e Miami, têm níveis de desigualdade iguais às de metrópoles africanas ou latino-americanas como Nairóbi, Santiago e Buenos Aires.

O estudo diz ainda que, pela primeira vez na história, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas, confirmando projeções deste ano da ONU.

As cidades norte-americanas têm menores índices de pobreza do que muitas cidades do mundo desenvolvido, mas a desigualdade de renda cresceu acima do limite "em que cidades e países devem tratar da desigualdade como uma questão de urgência".

O Habitat-ONU cita a raça como um dos principais fatores que condicionam a desigualdade no Canadá e nos EUA.

Tibaijuka alertou que a proporção de favelados nos países ricos pode crescer devido à escassez de crédito.

Enquanto nos países em desenvolvimento um terço da população vive em favelas, nos países desenvolvidos o índice não chega a 6 por cento, segundo a agência.

"Não me surpreenderia que, se fizéssemos outra pesquisa global com pessoas vivendo em condições de favelização e sem posse assegurada, este número terá crescido nos países desenvolvidos como resultado desta crise (financeira)", afirmou ela.

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