ONU cobra acesso universal a tratamentos contra a Aids

GENEBRA - As Nações Unidas cobram de autoridades acesso universal a tratamentos contra a Aids, doença que, segundo os últimos dados, segue avançando em todo o mundo.

EFE |

O último relatório anual divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre Aids (Unaids) alerta que o vírus HIV segue em grande evidência.

Apesar de as infecções diminuírem em alguns países como Zimbábue e Ruanda, têm crescido em outros como China, Indonésia, Quênia, Moçambique, Papua Nova Guiné, Rússia, Ucrânia e Vietnã.

Foram registrados 2,7 milhões de novos casos da doença em 2007, ano que contabilizou ainda 2 milhões de falecimentos relacionados com a aids.

O Unaids enumera em 33 milhões o número de pessoas que atualmente vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).

O relatório evidencia que, embora os contágios sigam crescendo, o número de mortes por causas relacionadas com a doença diminui, embora de forma limitada, graças a um maior acesso a medicamentos.

"Nos dois últimos anos, a mortalidade relacionada com a aids caiu de 2,2 milhões para 2 milhões, como resultado da ampliação progressiva do tratamento anti-retroviral", acrescenta o estudo.

Na Namíbia, por exemplo, a cobertura com anti-retrovirais passou de 1% em 2003 para 83% em 2007. Além disso, o Camboja passou de 14% em 2004 para 67% em 2007 nesse quesito.

"O caso de Botsuana, que chegou a 90% de cobertura, da Namíbia, com 83%, e de Ruanda, com 71%, evidenciam que é possível proporcionar acesso universal que salve milhões de vidas", afirma Kevin De Cock, diretor Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Aids continua sendo a principal causa de mortalidade na África, onde vivem 67% das pessoas soropositivas do mundo - onde três milhões de pessoas recebem tratamento com anti-retrovirais.

Segundo o relatório, o acesso ao tratamento por parte de mulheres grávidas é um dos temas onde foram feitos maiores progressos.

Entre 2005 e 2007, o número de mulheres grávidas infectadas pelo vírus HIV que receberam medicamentos anti-retrovirais para prevenir a transmissão materno-infantil passou de 14% para 33%.

No entanto, o diretor-executivo adjunto do Unaids, Michel Sidibe, alertou que para conquistar um dos principais objetivos do órgão - triplicar o número de pessoas com acesso a tratamento antes de 2010 - são necessários US$ 11 bilhões.

O relatório também ressalta que em praticamente todas as regiões do mundo, com exceção da África Subsaaariana, o HIV afeta de maneira desproporcional as pessoas que utilizam drogas injetáveis, os homens que têm relações sexuais com homens e profissionais do sexo.

Dos 39 países que informaram ao Unaids sobre acesso a serviços de prevenção do HIV para profissionais do sexo, a taxa de cobertura média de programas nacionais é de 60%.

Em relação aos usuários de drogas, só 15 países forneceram dados, indicando que 50% dos infectados têm acesso a programas de prevenção.

No caso dos homossexuais, 27 países asseguram que 40% dos homens que mantêm relações sexuais com outro homem podem ter acesso a programas nacionais de prevenção.

Os serviços de prevenção não evitam, no entanto, que diariamente ocorram 7.500 novas infecções.

"Estamos fazendo muitos progressos, mas devemos ser realistas, ainda resta muito a ser feito", concluiu Sidibe.

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