Nações Unidas, 31 jul (EFE) - O Conselho de Segurança da ONU atrasou hoje a reunião para renovar por um ano o mandato de sua missão de paz conjunta com a União Africana em Darfur (Unamid), devido às objeções de última hora dos Estados Unidos, disseram fontes diplomáticas.

As delegações dos 15 integrantes do principal órgão das Nações Unidas se retiraram para realizar consultas a portas fechadas, após passar uma hora e meia no plenário reunidos com o embaixador adjunto dos EUA, Alejandro Wolf.

O embaixador do Sudão perante a ONU, Abdalmahmood Abdalhaleem, assegurou que os americanos são contra a referência na minuta de resolução que amplia o mandato da Unamid ao processo contra o presidente sudanês, Omar al-Bashir, no Tribunal Penal Internacional (TPI).

"Para surpresa de todos, parecia que queriam eliminar a referência à União Africana (UA) e isso surpreendeu a todos, porque a União Africana é um parceiro (da ONU) nesta missão", acrescentou após a suspensão da reunião.

O texto redigido pelo Reino Unido apresentava uma nota em um de seus parágrafos em que a UA solicitava ao Conselho de Segurança que detivesse o processo contra Bashir, assim como a preocupação de alguns dos membros do órgão da ONU sobre as conseqüências deste caso judicial para a paz em Darfur.

A delegação britânica acrescentou este parágrafo à resolução como um compromisso com os países africanos, a Rússia e a China, que queriam invocar no texto o artigo XVI do Tratado de Roma que permite suspender um caso do TPI.

A Promotoria do TPI solicitou, em 14 de julho, ao tribunal a detenção do presidente do Sudão por considerá-lo responsável por genocídio, crimes de guerra e de lesa-humanidade cometidos no conflito de Darfur, que começou há cinco anos.

Os magistrados da reunião preliminar do tribunal podem demorar aproximadamente três meses para decidir se as provas apresentadas constituem uma base razoável para tornar efetiva a ordem de detenção. EFE jju/bm/db

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