O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) disse lamentar profundamente a decisão do governo do Zimbábue de seguir em frente com a eleição presidencial no país, que foi realizada nesta sexta-feira. O atual presidente, Robert Mugabe, tem a vitória garantida após o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, ter boicotado o segundo turno da eleição.

A contagem dos votos está sendo realizada neste sábado.

O embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, leu uma declaração do CS que dizia que todos os integrantes "concordaram que não existiam condições para eleições livres e justas e que lamentavam que o pleito seguiu em frente nestas circunstâncias".

Por outro lado, o documento, que foi assinado por todos os 15 integrantes do conselho, incluindo África do Sul, China e Rússia, não delcarou a votação ilegítima por oposição da África do Sul.

Khalilzad acrescentou que o conselho vai voltar a discutir o assunto nos próximos dias.

"Nós já começamos as discussões com alguns colegas sobre uma resolução que imporia sanções apropriadas ao regime, considerando que as condições continuem iguais às registradas atualmente."
Porém, diplomatas disseram que a resistência de África do Sul, China e Rússia tornará difícil a aprovação de qualquer sanção contra o governo do Zimbábue.

Críticas da comunidade internacional
A União Européia e os Estados Unidos criticaram a votação desta sexta-feira e disseram que ela não tem sentido.

A Secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que quer entrar com uma resolução no Conselho de Segurança da ONU na semana que vem para enviar uma mensagem de repreensão a Mugabe.

"Houve um sentimento forte... de que o que está acontecendo no Zimbábue é simplesmente inaceitável no século 21 e isto não pode ser ignorado pela comunidade internacional", afirmou Rice.

Ela acrescentou que os Estados Unidos vão fazer tudo para forçar a aprovação de sanções ao governo de Mugabe.

Ministros do Exterior do G8, reunidos no Japão, disseram que não podem aceitar a legitimidade de um governo no Zimbábue "que não reflita a vontade do povo zimbabuano".

Segundo o G8, violência, obstrução e intimidação tornaram uma eleição livre e justa no país impossível.

Já o presidente da comissão da União Africana, Jean Ping, disse que democracia e direitos humanos são valores compartilhados por todos os países do grupo e que os líderes africanos podem encontrar uma solução para os problemas do Zimbábue.

"Nós estamos aqui exercendo o papel de guardiães destes valores, então quando vemos que houve violações de alguns destes valores compartilhados, é nosso dever reagir e convocar alguns de nossos integrantes para resolver o problema", afirmou Ping no Egito, onde será realizada uma conferência da União Africana na semana que vem.

Mugabe deve participar da reunião e, de acordo com o correspondente da BBC em Johannesburgo, o presidente pretende declarar sua vitória antes de deixar o país para o Egito.

'Intimidação em massa'
O líder de oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, descreveu o segundo turno da eleição presidencial como um exercício de intimidação em massa.

"O que está acontecendo hoje (sexta-feira) não é uma eleição. É um exercício de intimidação em massa com as pessoas em todo o país sendo obrigadas a votar", afirmou.

Tsvangirai resolveu boicotar o pleito por causa da violência e da intimidação sofridas pelos seus partidários e descreveu a votação como uma simulação organizada por uma "ditadura desesperada".

"Felizmente, o zimbabuanos estão tentando ficar longe das urnas, pois eles podem diferenciar a democracia de uma ditadura desesperada pela ilusão de legitimidade", acrescentou.

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