Genebra, 26 jan (EFE).- A coordenação da assistência humanitária aos desabrigados por causa do terremoto no Haiti começa a funcionar de maneira eficaz, embora as necessidades ainda sejam enormes, disse hoje a porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU, Elisabeth Byrs.

Afirmou que, a partir de hoje, funciona no Haiti o centro de operações conjuntas que reúne as agências humanitárias da ONU, sua força de estabilização do país e os militares do Canadá e Estados Unidos, que colocaram seus meios logísticos à disposição dos organismos de ajuda.

No entanto, Byrs relativizou os progressos e disse que "ainda há muito a fazer" e que se está "diante de uma catástrofe extremamente difícil de conduzir".

"Não podemos oferecer ajuda instantânea a uma cidade de 2 milhões de habitantes", disse.

Por enquanto, as instalações portuárias de Porto Príncipe funcionam a 40% da capacidade e permanentemente há entre 800 e mil aviões à espera de poder aterrissar na cidade, em vista da prioridade dos aperelhos que transportam material de ajuda.

A porta-voz disse que são necessárias urgentemente 200 mil tendas de tamanho familiar para abrigar 1 milhão de deslocados pelo terremoto. Apenas 40 mil tendas se encontram no país ou estão a caminho.

Byrs disse, no entanto, que se buscará uma solução para transferir as pessoas que se instalarem sob essas tendas a estruturas mais sólidas em vista de que, em abril, começará a temporada de chuvas e furacões.

Frente ao pedido do presidente do Haiti, René Préval, de 36 milhões de porções de comida prontas para o consumo, para satisfazer as necessidades de 1,5 milhão de pessoas durante 15 dias, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) indicou que só pode atender, por enquanto, 100 mil desabrigados por dia.

Sobre o fluxo de deslocados para as zonas rurais do Haiti, informações oficiais indicam que mais de 235 mil pessoas tomaram essa via, mas o ritmo tende a diminuir.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que as amputações passaram a ser uma das cirurgias mais comuns, com 30 a 100 operações diárias.

Por isso, são necessárias instalações e pessoal especializado na reabilitação, enfatizou.

Outra situação que deverá ser atendida rapidamente é a de pessoas com aids, já que, de cerca de 120 mil casos diagnosticados na ilha, a metade precisa retomar o tratamento com antirretrovirais que recebia antes do terremoto.

O terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti ocorreu às 19h53 de Brasília do dia 12 de janeiro e teve epicentro a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe.

Pelo menos 21 brasileiros morreram na tragédia, sendo 18 militares e três civis, entre eles a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti. EFE is/an

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