A missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc) disse que dará apoio à operação conjunta dos Exércitos do Congo e de Ruanda contra os rebeldes da etnia hutu da milícia Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR).

O porta-voz militar da Monuc, Jean-Paul Dietrich, disse que a missão fornecerá transporte e assistência médica para os soldados, mas não participará diretamente da operação.

As tropas ruandesas entraram na República Democrática do Congo na semana passada e prenderam o líder rebelde congolês Laurent Nkunda, da etnia tutsi.

A operação conjunta agora está avançando para expulsar do país os rebeldes hutus da FDLR e é sem precedentes na história recente da África central ter os dois ex-inimigos cooperando para atingir objetivos comuns.

Instabilidade

A presença da FDLR no leste do Congo tem sido um fator-chave em mais de uma década de instabilidade na região.

Alguns dos líderes da milícia foram acusados de envolvimento no genocídio de Ruanda, em 1994.

Ruanda invadiu duas vezes a República Democrática do Congo na década de 90, alegando que estava caçando a força hutu, estimada em mais de 6 mil milicianos.

Nkunda sempre disse que sua própria ação era necessária para proteger a comunidade congolesa tutsi do FDLR.

Integração

Membros do grupo de Nkunda, o Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), estão se unindo ao Exército congolês, em uma integração que vai contar com o apoio da Monuc, disse o correspondente da BBC em Rutshuru, Thomas Fessy.

Cerca de 6 mil ex-milicianos devem começar a ser absorvidos pelo Exército do Congo nesta quarta-feira, em um processo que deve durar uma semana, de acordo com militares congoleses.

A Monuc disse que estes ex-rebeldes deverão participar de operações militares contra a FDLR.

A missão de paz da ONU disse que vai tentar obter garantias do comando militar de Ruanda e do Congo de que a população civil estará segura em caso de novos combates.

Segundo o analista da BBC Mark Doyle, se os esforços conjuntos para desarmar os hutus funcionarem, isso pode marcar o fim no conflito no leste do Congo, o epicentro de guerras mais amplas no continente.

De acordo com Doyle, a ONU agora está apostando que este será o resultado, mas a estratégia traz riscos.

Em primeiro lugar, o sucesso da operação não é garantido. Em segundo, a situação é politicamente perigosa para o governo da República Democrática do Congo - e particularmente para o presidente do país, Joseph Kabila - porque a maioria dos eleitores congoleses está profundamente desconfiada das intenções de Ruanda.

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