ONU anuncia ajuda ao Chile, enquanto réplicas do terremoto assustam população

Santiago do Chile, 5 mar (EFE).- A população chilena continua apreensiva com as frequentes réplicas do terremoto de sábado passado no Chile e a distribuição de ajuda humanitária começa a se ordenar seis dias depois da tragédia no país, onde hoje o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou uma contribuição de US$ 10 milhões.

EFE |

Ban prometeu os recursos no primeiro dia de sua visita ao Chile para observar "in loco" os efeitos do terremoto de 8,8 graus Richter que no sábado passado devastou o centro e o sul do país. O dinheiro virá do Fundo Central de Resposta a Situações de Emergência das Nações Unidas.

"É hora de a comunidade internacional ajudar o povo do Chile", afirmou o máximo representante da ONU após se reunir no Palácio de La Moneda com a presidente chilena, Michelle Bachelet, com quem coordenou o envio de vacinas ao país.

Ban chegará este sábado à cidade de Concepción (sul), a mais afetada pela tragédia de sábado, cuja população sofre as constantes réplicas do terremoto, além do toque de recolher de 18 horas imposto pelas autoridades.

Nesta manhã, três tremores de mais de mais 6 graus na escala Richter voltaram a assustar os habitantes de Concepción e das cidades vizinhas. Eles saíram às ruas e foram para os morros, apesar do toque de recolher.

De tarde, outro movimento das placas tectônicas, dessa vez de 4,9 graus Richter, atingiu a província de Biobío (sul), com epicentro no mar, a 35 quilômetros ao noroeste da castigada cidade.

Idosos, deficientes físicos e crianças correram para lugares altos com medo de um tsunami como o que ocorreu no sábado passado após o terremoto de 8,8 graus, de acordo com a imprensa local. No entanto, as autoridades descartaram a possibilidade de tsunami.

As réplicas de hoje foram a continuação de outras de entre 4,6 e 5,2 graus Richter registradas na noite de ontem e durante a última madrugada.

Esses movimentos de terra destruíram seis edifícios no centro de Concepción, já danificados pelo tremor de sábado, o que obrigou a evacuação dos prédios situados nos arredores de cada um.

O terremoto deixou centenas de mortos, mas até agora somente 452 corpos foram identificados.

O envio de ajuda para a região afetada pelo terremoto começou a ser regularizada hoje. O fornecimento de água e luz, as telecomunicações e outros serviços básicos também se normalizava pouco a pouco.

"O funcionamento dos serviços básicos, a segurança e o abastecimento foram se normalizando nas áreas afetadas", assegurou o subsecretário do Interior chileno, Patricio Rosende.

O subsecretário admitiu, no entanto, que o processo foi conduzido com certa lentidão e que houve algumas manifestações isoladas de habitantes que reivindicam principalmente eletricidade.

Rosende afirmou que 86 caminhões especiais estão distribuindo comida quente a habitantes de várias cidades das regiões de Maule e de Biobío.

Além disso, em Concepción, foram instalados grandes refeitórios, com capacidade para atender a 65 mil pessoas por dia. Outros 30 similares também foram instalados nessa região e em Maule.

Na província de Concepción, as cidades de Dichato, Carampangue e Cobquecura ainda estão sem água. Já em Santiago, 98% da população conta com luz elétrica.

Rosende anunciou o início de uma campanha de vacinação em massa contra a hepatite e o tétano nas áreas afetadas. Ele destacou que, entre Valparaíso e La Araucanía, há 13 hospitais de campanha em pleno funcionamento.

Além desses, um outro hospital de campanha com 400 leitos cedido pelo Governo do Brasil foi concluído hoje em Cerro Navia, nos arredores de Santiago.

"Em nível nacional, há 104 hospitais operacionais, 16 afetados pelos tremores, mas com alguns setores em funcionamento. Por outro lado, há dez que estão completamente inutilizados", acrescentou.

A Marinha chilena destituiu hoje do cargo Mariano Rojas Bustos, que chefiava o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico (SHOA, na sigla em espanhol). O órgão havia omitido um alerta de tsunami após o terremoto de sábado, o que custou inúmeras vidas e uma grande destruição em várias cidades litorâneas e no arquipélago de Juan Fernández.

Em comunicado, o chefe da Marinha, Edmundo González, disse que a medida procura "restabelecer a credibilidade e confiança nesse importante organismo técnico". EFE ns/sa

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