ONU alerta sobre habitações precárias em países emergentes

(embargada até 22h01, de Brasília) Rio de Janeiro, 22 out (EFE).- Um em cada três habitantes urbanos dos países em desenvolvimento vive em habitações de condições precárias, com casas construídas de forma deficiente ou com falhas nos serviços de saneamento e acesso à água potável, denunciou hoje a ONU.

EFE |

A região do mundo mais afetada é a África Subsaariana, onde 62% da população urbana vivem em favelas, segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat), apresentado hoje no Rio de Janeiro.

No Sul da Ásia, 43% da população urbana vivem em casas precárias, enquanto na América Latina e no Caribe a situação atinge 27%.

Na região, os problemas mais generalizados são o acesso à água potável e aos serviços sanitários básicos, dificuldade que preocupa especialmente a ONU em Guatemala, Haiti, Nicarágua e Bolívia.

A diretora da UN-Habitat para a América Latina, Cecilia Martínez, que apresentou o relatório, frisou que na região o principal problema não é a pobreza, mas "o aumento da discrepância entre ricos e pobres".

"Hoje, mais do que nunca, está aumentando a disparidade, porque as áreas ricas se beneficiam mais do crescimento econômico e atraem mais investimentos que as pobres", comentou.

A América Latina ficou como a região com maiores diferenças no mundo, com uma nota de 0,55 no índice Gini, o indicador mais utilizado para medir as disparidades de renda, que utiliza uma escala que vai de zero e a um.

Martínez assinalou que as grandes cidades de Brasil e Colômbia são as que têm maiores desigualdades entre ricos e pobres. As urbes de Argentina, Chile, Equador, Guatemala e México também estão em posição ruim, superando a nota de 0,4.

A América Latina foi citada, além disso, como a região mais urbanizada do planeta, com 77% de sua população vivendo em cidades, número que pode chegar a 85% em apenas duas décadas.

Segundo o relatório, das 14 grandes urbes do planeta, quatro estão na América Latina: São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México e Buenos Aires.

Na América Latina também está ocorrendo o fenômeno do rápido crescimento de cidades pequenas e médias, como o caso da boliviana Santa Cruz de la Sierra, que passou de 50 mil habitantes a 250 mil em menos de uma década.

O relatório também alertou sobre a ameaça da mudança climática e aumento do nível do mar para as 3.351 cidades litorâneas do mundo, que estarão expostas à intensificação de inundações. EFE mp/rr

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