ONU alerta sobre cortes em programas de prevenção contra Aids

Por Stephanie Nebehay GENEBRA (Reuters) - Os cortes em programas de prevenção contra a Aids, justificados pela crise financeira global, podem levar a um aumento das infecções pelo vírus HIV, declarou nesta sexta-feira a Organização das Nações Unidas (ONU).

Reuters |

Paul De Lay, diretor da agência anti-Aids da ONU, disse que a crise é motivo de grande preocupação no desenvolvimento de programas à medida que os governos revisam seus orçamentos.

O mundo precisa manter os níveis atuais de assistência, disse De Lay em um encontro com a imprensa antes do Dia Mundial da Aids, na segunda-feira.

"(Ou) o que veremos nos próximos quatro ou cinco anos será o aumento das novas infecções, e não seremos capazes de aumentar o tratamento que claramente será necessário à medida que mais e mais pessoas apresentem os sintomas e precisem ter acesso aos remédios", afirmou.

Estima-se que 33 milhões de pessoas em todo o mundo viviam no final de 2007 com o HIV, a maior parte na África subsaariana. A doença já matou 25 milhões de pessoas desde que foi identificada, em 1981.

A cada ano, 2,7 milhões de pessoas são infectadas, de acordo com as estimativas.

Os programas de tratamento que fornecem remédios aumentaram e agora atingem quase 4 milhões de pessoas, disse De Lay. A cifra fica longe da necessidade estimada de antiretrovirais --9,7 milhões de pessoas.

A cada ano, cinco novas pessoas são infectadas para cada duas que entram em tratamento, completou De Lay.

A agência, sediada em Genebra, afirmou em um relatório sobre a Aids em 2009 que, ainda que o compromisso político sobre o assunto esteja no melhor momento da história, "os recentes acontecimentos no mundo financeiro vão testar a resistência de muitos".

A agência identifica três tendências.

Na Tailândia, o aumento das infecções entre homens que transam com outros homens está em níveis alarmantes.

Em Uganda, a maior parte das infecções ocorre como consequência da adoção de múltiplos parceiros sexuais por algumas pessoas.

Uma terceira tendência foi identificada no Quênia, onde a maior parte das novas infecções ocorre em prostitutas, em usuários de drogas injetáveis e em relações homossexuais entre homens.

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