ONU alerta sobre aumento das emissões de gases poluentes

As Nações Unidas alertaram nesta segunda-feira sobre o contínuo aumento das emissões de gases poluentes nos países industrializados, duas semanas antes da abertura de sua conferência anual sobre o clima, que marcará o início das negociações sobre um programa de combate ao aquecimento global.

AFP |

"O aumento das emissões continua sendo objeto de preocupação", afirmou nesta segunda-feira Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), ao apresentar um relatório sobre a situação dos países industrializados em Bonn, na Alemanha.

Segundo dados do relatório, as emissões dos 40 países industrializados - chamados de Anexo 1 - aumentaram 2,3% entre 2000 e 2006.

A Espanha foi um dos países que registrou um aumento maior em relação a 1990, ano de referência para a Convenção e o Protocolo de Kioto. O caso espanhol (um aumento de 50,6% entre 1990 e 2006) e o de Portugal (40%) correspondem às piores situações na Europa.

As emissões de dióxido de carbono (CO2), que representavam 82,5% dos gases causadores do efeito estufa em 2006, continuam sendo a principal preocupação da UNFCCC, devido à dependência do petróleo, do gás e do carvão por parte das nações desenvolvidas e emergentes.

Nesse contexto, as emissões de CO2 aumentaram 40% na Austrália e 57% na Espanha entre 1990 e 2006.

Apesar disso, o relatório da ONU aponta que o número global da poluição nos países industrializados diminuiu 4,7% no período.

Essa redução se deve a um corte significativo das emissões por parte dos países do ex-bloco comunista no leste da Europa, que sozinha representou uma queda de 37,6% após o fechamento de várias instalações energéticas e industriais obsoletas.

As emissões poluentes no leste da Europa, no entanto, começaram a aumentar (4,7% entre 2000 e 2006) devido ao forte crescimento econômico na região, destacou De Boer.

De maneira geral, contudo, as emissões de gases poluentes registraram um forte aumento em todo o mundo em relação a 1990: 28,8% na Australia, 21,7% no Canadá e 14,4% nos Estados Unidos.

O Protocolo de Kioto é o único tratado internacional que impõe metas de redução dos gases causadores do efeito estufa aos países industrializados (-5% entre 2008 e 2012).

"Estou convencido de que, globalmente, (os países industrializados) são capazes de cumprir seus compromissos. Mas alguns terão que fazer um esforço mais sério", analisou De Boer.

O secretário executivo da UNFCCC acredita que os números do relatório "são a prova de que é urgente avançar rapidamente para a definição de um novo acordo" para substituir o Protocolo de Kioto, que expira em 2012.

ach/ap/sd

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