ROMA (Reuters) - A agência para refugiados da Organização das Nações Unidas alertou a Itália nesta sexta-feira que sua política de rebocar barcos com imigrantes à costa da Líbia contraria convenções internacionais, mas o governo do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, prometeu que ela irá continuar. Laurens Jolles, representante da agência da ONU (UNHCR, na sigla em inglês), na Itália, se encontrou com o ministro do Interior, Roberto Maroni, para se queixar sobre a prática de deportar imigrantes interceptados no mar, iniciada no início deste mês apesar do bom relacionamento com a Líbia.

Jolles disse em um comunicado após a reunião que tais repatriações contradizem a Convenção de Genebra, de 1951, aplicável até em águas internacionais. A UNHCR disse que entre as centenas de pessoas deportadas nas últimas semanas há interessados em requisitar asilo e pediu que a Itália os aceite de volta.

"Está confirmado que as repatriações irão ocorrer, como previsto em acordo entre a Líbia e a Itália", disse Maroni em um comunicado separado após a entrevista.

Quase 70 por cento dos 31.200 pedidos de asilo na Itália no ano passado foram de imigrantes que chegaram no litoral sul do país, disse a UNHCR.

As deportações têm recebido fortes críticas de grupos de direitos humanos e do Vaticano.

(Reportagem de Daniel Flynn)

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