ONU alerta que crise econômica prejudica Objetivos do Milênio

(Embargada até as 21h de Brasília) Genebra, 5 jul (EFE).- As Nações Unidas alertou hoje que a crise econômica mundial pode acabar com os esforços realizados até agora para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 9ODM).

EFE |

Segundo um relatório de revisão publicado pela ONU, "após mais da metade do prazo até 2015 para alcançar os ODM, os grandes avanços na luta contra a pobreza e a fome tornaram-se mais lentos ou, às vezes, perderam terreno, como resultado das crises econômica e alimentícia mundial".

O texto indica que "os avanços conseguidos na eliminação da fome a partir do início dos anos 90 - a proporção de pessoas famintas diminuiu de 20% em 1990 para 16% em 2006 - foram perdidos em 2008, devido, em grande parte, ao preço maior dos alimentos".

Entre 1990 e 2005, diminuiu a quantidade de pessoas que viviam com menos de US$ 1,25 por dia, de 1,8 bilhão para 1,4 bilhão.

"No entanto, os indicadores mostram que, provavelmente, os principais avanços na luta contra a pobreza extrema estagnarão, embora ainda não se disponha de dados que revelem cabalmente os efeitos dos recentes golpes econômicos", afirma o relatório.

Outro aspecto importante é o fato de que os próprios países pobres e em desenvolvimento obterão menos lucro das exportações, que se deterioraram bruscamente a partir do terceiro trimestre de 2008, conforme a crise financeira tomou forma.

Além disso, o relatório lembra que "a apenas seis anos para a data limite de 2015, os países doadores estão ficando 'tímidos' ao cumprir os compromissos de ajuda contraídos para alcançar os ODM".

O texto afirma que a ajuda dos países doadores permanece muito abaixo da meta da ONU de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em 2008, os únicos países que alcançaram ou superaram esta meta foram Dinamarca, Luxemburgo, Noruega, Holanda e Suécia.

Para Lakshmi Puri, diretora da Divisão de Comércio Internacional de Mercadorias e Serviços da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), que apresentou o relatório em Genebra, um dos principais problemas foi a lentidão com a qual se estavam alcançando avanços antes da crise.

"Houve progressos, mas foram lentos demais para poder conseguir as metas", disse e, embora não quisesse se mostrar pessimista, não encontrou elementos para garantir o cumprimento de nenhuma das metas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, mais otimista, concluiu na introdução do relatório que, "em vez de retroceder, estamos no momento de acelerar o progresso para os ODM e de fortalecer a associação internacional para o desenvolvimento".

"A gestão da crise econômica pode - e deveria - se transformar em uma oportunidade para realizar as mudanças estruturais necessárias para conseguir o caminho ao desenvolvimento equitativo e à sustentabilidade", disse.

Isso inclui enfrentar o problema da mudança climática, lembrou.

"Nada menos que a viabilidade de nosso planeta e o futuro da humanidade estão em perigo", concluiu. EFE mh/an

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