ONU alerta para riscos da migração de somalis em direção ao Iêmen

Genebra, 28 jul (EFE).- Milhares de somalis serão obrigados a atravessar o Golfo de Áden em busca de asilo no Iêmen devido aos confrontos no país, mas só este ano 300 pessoas morreram na travessia, denunciou hoje o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

EFE |

Em 8 de maio deste ano, a milícia Al-Shabab, que os Estados Unidos vinculam à Al Qaeda, e o grupo armado Hizbul Islan, liderado pelo radical islâmico Sheikh Hassan Aweys, iniciaram uma ofensiva militar contra as forças do Governo Federal de Transição, presidido por Sharif Sheikh Ahmed.

"Desde maio, cerca de 12 mil pessoas se refugiaram no povoado de Bossaso, no nordeste da Somália. A maioria espera aproveitar a primeira oportunidade que tiver para atravessar o golfo", disse hoje o porta-voz da Acnur, Ron Redmond.

Ele acrescentou que, "como o mar nesta época é muito perigoso devido às condições meteorológicas, a maioria dos deslocados esperará em Bossaso a chegada de setembro, quando os ventos são mais favoráveis".

"É uma travessia perigosa. Mais de mil pessoas se afogaram em 2008 quando foram jogadas no mar ou obrigadas a desembarcar muito longe (da costa) por traficantes inescrupulosos", acrescentou o porta-voz.

A Acnur, disse o funcionário, "tenta convencer os deslocados do perigo da travessia, mas é uma batalha perdida. Ele não veem futuro na Somália e estão tão desesperados que arriscam suas vidas e as de suas famílias".

Os traficantes de pessoas organizam viagens e recolhem dinheiro entre os deslocados de Bossaso, onde "os assentamentos estão cada vez mais movimentados".

Em 2008, mais de 50 mil imigrantes chegaram ao Iêmen, 70% a mais que no ano anterior. Só nos seis primeiros meses deste ano, mais 30 mil chegadas foram registradas, número equivalente ao total de imigrantes que desembarcaram no país em 2007.

O fenômeno afeta negativamente "os limitados recursos do Iêmen e representa um desafio para o Governo".

"Não podemos esquecer que o Iêmen é um país pobre, que tem seus próprios problemas de deslocamentos", lembrou Redmond. EFE mrm/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG