ONU afirma que militares da organização não deterão líder sudanês

Nações Unidas, 2 mar (EFE).- O subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, o francês Alain Le Roy, afirmou hoje que os militares da organização presentes no Sudão não deterão o presidente do país, Omar al-Bashir, caso o Tribunal Penal Internacional (TPI) ordene deter o líder, em decisão prevista para quarta-feira.

EFE |

Em entrevista nas Nações Unidas, Le Roy afirmou que os mandatos da missão conjunta da ONU e da União Africana em Darfur (Unamid) e o da missão da ONU no sul do país (Unmis) não contemplam executar ordens de detenção promulgadas por tribunais internacionais.

"Não, não tomaremos esse tipo de ação", ressaltou o subsecretário-geral da ONU, que também lembrou que as missões de paz devem restringir suas atuações ao mandato concedido pelo Conselho de Segurança, e que, nestes casos, não se inclui a colaboração na execução das ordens do TPI.

O tribunal internacional, com sede em Haia, deve se pronunciar na quarta-feira sobre um pedido de detenção contra Bashir anunciado em 14 de julho pelo promotor-chefe do tribunal, Luis Moreno Ocampo, por suposta responsabilidade nos crimes de guerra cometidos durante o conflito de Darfur, no oeste do Sudão.

A possibilidade de ser adotada uma ordem de detenção contra o líder gerou consternação no Governo de Cartum, que assegurou que a ignorará.

Le Roy reiterou que o Governo sudanês deu garantias sobre a segurança da Unamid e da Unmis, que supervisiona a implementação do acordo de paz que colocou fim a três décadas de guerra entre Cartum e os rebeldes cristãos animistas do sul do país.

"Certamente, como é natural, temos planos de contingência para reagir a qualquer situação", afirmou.

No entanto, assegurou que esses planos não contemplam "uma diminuição, nem uma transferência" dos 25 mil soldados que formam as duas missões de paz em território sudanês. EFE jju/db

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