ONU afirma que está a caminho de reduzir pobreza pela metade até 2015

Joaquim Utset. Nações Unidas, 11 set (EFE).- A ONU acredita que o mundo está no caminho certo para reduzir a pobreza extrema pela metade até 2015, mas adverte que o lento desenvolvimento das economias africanas e a alta dos preços dos alimentos colocam em risco a obtenção dessa meta.

EFE |

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentou hoje na sede da organização em Nova York as conclusões de um relatório que analisa em detalhes os esforços para cumprir os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), fixados em 2000.

Ban afirmou que este relatório é a avaliação "mais completa" dos esforços para alcançar os objetivos e servirá de documento de trabalho fundamental na cúpula sobre o assunto que a ONU realizará em 25 de setembro.

Cerca de 100 chefes de Estado e de Governo, além de 20 importantes especialistas de todo o mundo, participarão da reunião de alto nível que acontecerá nas Nações Unidas, paralelo aos debates da Assembléia Geral.

Ban destacou hoje que o relatório confirma que a meta de fazer com que em 2015 a pobreza extrema seja reduzida pela metade em relação à registrada em 1990 (como propõem os ODM) é alcançável, o que representa "uma grande conquista".

De fato, a porcentagem da população mundial que vive com menos de US$ 1,25 ao dia caiu de 41,7% (1990), para 25,7% (2005).

Em números absolutos, a pobreza também diminuiu, já que cerca de 1,4 bilhão de pessoas viviam em situação de pobreza extrema em 2005, frente ao 1,8 bilhão em 1990, segundo o relatório elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU.

"Sabemos que os objetivos podem ser alcançados e sabemos o que temos que fazer. O que precisamos é de uma arrancada", disse Ban, que espera que os líderes que participarão da cúpula anunciem "compromissos e propostas concretas" para ajudar os mais pobres do planeta, a quem ele chamou de "os bilhões de esquecidos".

O relatório também indica que a redução mundial da pobreza se deve, na maior parte, aos grandes avanços econômicos dos países do sudeste da Ásia, que compensam o limitado êxito do continente africano.

Os mais pobres no sudeste e no leste asiático passaram de 56% da população da região (1990) para 17,8% (2005).

Em contraste, a redução da pobreza extrema na África Subsaariana nesse mesmo período passou de 55,7% para 50,3%, segundo o estudo.

Além disso, há o perigo representado pela recente escalada mundial dos preços dos alimentos básicos, que poderia levar novamente à pobreza extrema cerca de 100 milhões de pessoas.

O relatório também aponta que 1,6 milhão de pessoas conseguiram acesso à água potável desde 1990 e que em todas as regiões do mundo, menos na África Subsaariana e na Ásia Ocidental, o nível de escolarização na educação primária atingiu 90%.

Além desses dados, 2006 foi o primeiro ano em que a mortalidade infantil anual ficou abaixo dos 10 milhões, graças à melhoria das condições de higiene e ao acesso a serviços de saúde na Ásia, norte da África e América Latina.

A redução da desigualdade de gênero na educação permitiu que nesta década se abrissem "as portas das salas de aula às meninas" e que sua escolarização crescesse mais rápido que a dos meninos em todas as regiões do mundo entre 2000 e 2006, observa o relatório.

Assim, dois terços dos países alcançaram a paridade na educação primária, destacam os especialistas, que, no entanto, lamentam que o progresso tenha sido muito mais modesto no objetivo de reduzir em 75% o índice de mortalidade das mães.

Entre 1990 e 2005 esse problema só se reduziu 1% ao ano, por isso cerca de 500 mil mulheres ainda morrem anualmente devido à complicações na gravidez ou no parto, um número que, segundo o documento, é "inaceitável".

Ao mesmo tempo, o relatório revela que não está sendo cumprido o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável do planeta, devido ao aumento nas emissões de gases causadores do efeito estufa, à pesca comercial abusiva e ao aumento do número de espécies de animais em perigo de extinção. EFE jju/ab/an

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