ONU afirma que escola estava demarcada; Israel diz ter respondido a ataque

GAZA - Um funcionário da ONU em Gaza disse que a escola onde dezenas de palestinos foram mortos por um bombardeio israelense, nesta terça-feira, estava claramente demarcada com uma bandeira da organização internacional e que sua localização havia sido comunicada às autoridades de Israel.

Redação com agências internacionais |



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Israel afirmou nesta terça-feira que suas tropas responderam a morteiros lançados da escola. "Os primeiros elementos de que dispomos dizem que houve disparos hostis contra uma de nossas unidades a partir do prédio da ONU. Nossa unidade respondeu", declarou à AFP o porta-voz do governo israelense, Mark Regev.

O porta-voz destacou que, no passado, os grupos armados palestinos usaram edifícios da Agência da ONU para os Refugiados da Palestina (UNRWA) em Gaza para lançar ataques ou armazenar armas. "Não sabemos se esse foi o caso, verificaremos", insistiu.

John Ging, diretor de operações da UNRWA, agência humanitária da ONU que presta ajuda aos palestinos, disse que 30 pessoas morreram e outras 55 ficaram feridas (sendo 5 em estado crítico) no ataque da artilharia israelense contra a escola da ONU, no campo de refugiados de Jabalya. Fontes médicas no local disseram haver mais de 40 mortos.

Ging afirmou a jornalistas na sede da ONU, falando por videoconferência da Faixa de Gaza, que três disparos de artilharia pesada atingiram o terreno da escola, onde 350 pessoas se refugiavam dos combates dos últimos dias.

Ele disse que a UNRWA fornece regularmente ao Exército de Israel as coordenadas geográficas exatas das suas instalações, e que a escola fica em uma área construída. "É claro que seria inteiramente inevitável que, se disparos de artilharia caíssem naquela área, haveria um altíssimo número de mortos," disse ele.

Os militares israelenses disseram estar investigando o incidente na escola Al Fakhora, ocorrido no quarto dia da ofensiva terrestre iniciada depois de uma semana de bombardeios por ar e mar contra a Faixa de Gaza.

Questionado sobre a possível presença de militantes do Hamas no entorno da escola no momento do ataque, Ging disse que aquele é um local de confrontos, "de modo que há intensa atividade militar e militante naquela área".

Ele afirmou que os funcionários da ONU realizaram uma triagem dos refugiados para evitar que os militantes se aproveitassem da situação. "Até agora não tivemos violações das nossas instalações por parte de militantes", disse ele.

Ging informou ainda que três palestinos foram mortos em outro incidente, num bombardeio aéreo israelense contra outra escola da ONU em uma área onde naquele momento não havia confrontos.

Na manhã de terça-feira, um edifício ao lado de um centro de saúde da ONU foi atingido por disparos israelenses, deixando 10 feridos, inclusive sete funcionários e três pacientes, segundo Ging.

Outro míssil caiu perto de uma terceira escola da ONU na terça-feira, mas não explodiu, acrescentou Ging, que pediu uma investigação independente sobre os ataques contra instalações da ONU e arredores.

Barack Obama

Nesta terça-feira, após o atentado à escola, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou "profunda preocupação" com as mortes de civis em Israel e Gaza.

Em declarações à imprensa após se reunir com sua equipe econômica, Obama, que tinha sido criticado por seu silêncio em torno da violência na região, destacou que, após sua posse, no dia 20, seu Governo se "envolverá de maneira ativa e consistente" no conflito no Oriente Médio.

"Depois de 20 de janeiro vou ter muito a dizer sobre este assunto, e vou cumprir o que prometi durante a campanha", declarou Obama à imprensa. "Iniciado nosso governo, nos comprometeremos efetiva e consistentemente em tentar resolver o conflito no Oriente Médio", acrescentou.

Confrontos se intensificam em Gaza; veja o vídeo:


Desde o início do conflito, no dia 27 de dezembro, pelo menos 560 palestinos morreram e outros 2.700 ficaram feridos. Do lado de Israel, três civis foram mortos em ataques do Hamas no sul do país, e sete militares morreram em combate, quatro deles na noite de segunda-feira, quando um tanque israelense atirou em direção a eles "por engano".

O Exército de Israel informou nesta terça-feira que matou 130 combatentes do Hamas desde o início da ofensiva terrestre na Faixa de Gaza, no sábado à noite.

Crise humanitária

Enquanto a ofensiva continua, as condições de vida da população de Gaza estão se deteriorando cada vez mais, com os suprimentos de comida, água e trigo escasseando.

O norueguês Mads Gilbert, um dos dois médicos estrangeiros que trabalham no maior hospital de Gaza, o Al-Shifa, afirmou que as salas de operação estão cheias e que muitas pessoas estão morrendo por causa da falta de recursos.

Israel afirma que os civis não são alvos dos ataques, mas Gilbert diz ter visto apenas dois militantes em meio a centenas de mortos.

A Organização das Nações Unidas afirma que cerca de 1 milhão de pessoas na região sofre com a falta de energia elétrica e que muitos podem sofrer com a fome nos próximos dias.

A ONG israelense Physicians for Human Rights (PHR) afirmou nesta terça-feira que equipes médicas foram atacadas pelo Exército de Israel quando socorriam feridos na Faixa de Gaza.

"Segundo várias testemunhas, soldados israelenses estão atacando os paramédicos que querem socorrer feridos e atirando em ambulâncias", destacou a PHR em comunicado, frisando que recebeu informações sobre dez casos deste tipo.

Questionado, o Exército israelense não respondeu diretamente, mas insistiu em que está fazendo "todo o possível para evitar ferir civis" e acusou o Hamas de utilizar civis como "escudos humanos".

Nahum Sirotsky, colunista do iG, comenta a situação em Gaza; veja o vídeo:

11º dia de bombardeios

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