ONU afirma não conseguir ajudar os deslocados no leste da RDC

Goma (RD.Congo), 9 nov (EFE) - Agências da ONU e organizações humanitárias seguem sem conseguir atender às necessidades básicas de dezenas de milhares de deslocados no leste da República Democrática do Congo (RDC), que tentam fugir de uma guerra que não pára, apesar dos pedidos internacionais de cessar-fogo.

EFE |

Os rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), liderados pelo general Laurent Nkunda, entraram em choque novamente hoje com as tropas do Exército congolês e com duas milícias aliadas deste, confirmaram fontes das Nações Unidas.

Em Ngungu, situado na região de Masisi, cerca de 60 quilômetros ao noroeste de Goma, capital da província de Kivu Norte, os soldados do CNDP travaram confrontos por seis horas contra uma força aliada das milícias tribais Mai-Mai e as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), favoráveis ao Governo congolês.

"Na área de Ngungu foram registrados choques com armas pesadas a partir das 5h (1h de Brasília)", disse em entrevista coletiva o tenente-coronel Jean-Paul Dietrich, porta-voz da Missão das Nações Unidas na RDC (Monuc).

Segundo ele, os confrontos cessaram por volta das 11h, depois que funcionários do órgão pediram para as duas partes colocarem fim à violência.

Os rebeldes do CNDP controlam Ngungu, localidade estratégica, que domina o acesso à divisória Kivu Sul, desde que, em agosto, foram retomadas as hostilidades na região, após a violação do cessar-fogo acertado pelas duas partes em janeiro.

Dietrich afirmou que os novos confrontos em Ngungu provocaram, assim como em outras localidades, a fuga em massa da população civil.

"Milhares de pessoas estão chegando à base da Monuc em Nugungu fugindo dos combates", disse Dietrich, que ressaltou que, nos confrontos, que se prolongaram até pouco antes do meio-dia (hora local), as tropas do Exército congolês não intervieram.

No entanto, os soldados governamentais enfrentaram hoje novamente os rebeldes no distrito de Rutshuru, o epicentro desta nova rodada de choques no leste da RDC.

Tiroteios intensos, mas esporádicos, que duraram 20 minutos cada, foram registrados em uma área cerca de cinco quilômetros de Kiwanja, disse Dietrich, que não deu outros detalhes destes choques.

Em Kiwanja, situada cerca de dois quilômetros da cidade de Rutshuru, a capital do distrito, foram encontrados esta semana os corpos de dezenas de civis enterrados em 11 valas comuns, segundo a Monuc, que condenou os massacres, qualificando-os de "crimes de guerra que não podem ser tolerados".

Enquanto isso, em Kibati, foco de intensos combates na última sexta-feira, a situação retornou à calma, segundo pôde constatar a Agência Efe.

Kibati, situada 12 quilômetros ao norte de Goma, é o último ponto controlado pelas tropas do Governo antes da zona em poder dos rebeldes, disse uma fonte do Exército congolês.

Hoje, o ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, afirmou que o Reino Unido não enviará tropas à RDC como parte de uma missão de paz.

"Não, isso não está na agenda", disse Miliband em entrevista à emissora "BBC".

O ministro reiterou a importância de conseguir uma "adequada solução regional" ao problema, e ressaltou que os Estados africanos terão que fornecer tropas para restaurar a estabilidade e proteger os milhares de deslocados.

"Isso não se consegue sem a participação da União Africana (UA)", destacou Miliband. EFE gp/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG