ONU adverte sobre riscos da mudança climática para África e Ásia

Acra, 25 ago (EFE).- O secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (CCNUCC, em sigla em francês), Yvo de Boer, advertiu hoje sobre os riscos do aumento do nível dos mares, que poderia colocar em perigo o futuro de milhões de pessoas em áreas litorâneas da África e da Ásia.

EFE |

Em discurso na conferência sobre a mudança climática realizada na capital de Gana, Acra, Boer afirmou que outros riscos ameaçam também as povoações das mesmas regiões, tais como inundações provocadas pelos efeitos das mudanças do clima assim como uma provável escassez de água potável.

Segundo o responsável da ONU, os pequenos Estados insulares poderiam ser os mais afetados por estes fenômenos.

Boer, que pediu o fim do desmatamento no mundo, quer também que sejam adotadas medidas adequadas a fim de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono procedente da combustão do petróleo e do carvão, mediante o uso das energias solar ou eólica.

Ele também falou a respeito da necessidade de criar um fundo destinado a apoiar de forma mais eficiente um mecanismo de transferência de tecnologia para o hemisfério sul.

O responsável da Agência de Proteção do Meio Ambiente de Gana, William Kojo Agyemang-Bonsu, reforçou a opinião de Boer ao destacar em seu discurso que de 75 a 250 milhões de pessoas poderiam enfrentar um grave problema de escassez de água até o ano de 2020.

Agyemang-Bonsu defendeu que os efeitos da mudança climática poderiam ocasionar uma redução de até 50% do rendimento agrícola de alguns países.

Ele comentou, além disso, que o aumento do nível do mar poderia ser de 18 a 59 centímetros antes do fim do século 21.

Outros participantes da conferência, entre eles os delegados sul-africanos, propuseram uma avaliação científica dos novos gases causadores do efeito estufa, que poderiam se somar aos seis classificados como os mais perigosos para o meio ambiente.

A conferência de Acra, cujos trabalhos terminam na próxima quarta-feira, pretende fazer com que países como China e Índia, que não limitam suas emissões, passem a se unir aos 37 Estados industrializados signatários do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e que expira em 2012, que impõe metas de redução desses gases. EFE nt/bm/rr

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