ONU admite erro sobre derretimento no Himalaia

Uma advertência da Organização das Nações Unidas (ONU) de que as geleiras do Himalaia estavam derretendo mais rapidamente do que em qualquer outro lugar do mundo e que poderiam desaparecer até 2035 está mal fundamentada cientificamente, admitiu ontem o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). A informação no relatório refere-se a estimativas com poucas comprovações sobre a taxa de derretimento e a data do desaparecimento dos glaciares himalaios, disse o IPCC.

Agência Estado |

"Ao escrevermos o parágrafo em questão, os padrões claros e bem estabelecidos de evidências, exigidos pelos procedimentos do IPCC, não foram aplicados corretamente."

As afirmações sobre as geleiras himalaias, parte do volumoso relatório do grupo que venceu o Prêmio Nobel em 2007 junto com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, eram pouco conhecidas até o jornal "The Sunday Times" dizer que a projeção parecia ser baseada em uma matéria jornalística.

Os líderes do IPCC investigam como a previsão foi parar no relatório, disse Chris Field, diretor do departamento de ecologia do Instituto Carnegie para Ciência. O painel da ONU não deu novas estimativas sobre quando os glaciares do Himalaia podem desaparecer, mas disse que "grandes perdas de glaciares e reduções na cobertura de neve nas últimas décadas devem se acelerar no decorrer do século 21".

Céticos do clima

A falha assumida pelo painel poderá ser usada pelos chamados "céticos do clima" para colocar em xeque a gravidade do aquecimento global. No ano passado, eles aproveitaram a invasão dos servidores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, e a exposição das mensagens para dizer que dados haviam sido forjados. Não há, porém, provas concretas.

O ministro do Meio Ambiente da Índia, Jairam Ramesh, criticou o painel. "A saúde dos glaciares é causa de grande preocupação, mas a posição alarmista do IPCC de que eles poderiam derreter completamente até 2035 não foi baseada nem um pouco em evidência científica", disse ao "The Times of India". O painel do clima da ONU afirma que "o presidente, o vice-presidente e os copresidentes do IPCC lamentam a má aplicação dos procedimentos bem estabelecidos do IPCC neste caso".

Na opinião do secretário executivo da Convenção do Clima da ONU, Yvo de Boer, a credibilidade do IPCC depende do rigor com que os procedimentos são cumpridos. "Os procedimentos foram violados neste caso. Não se deve permitir que isso aconteça de novo." Ele reforça, no entanto, que "ninguém nega que as geleiras do Himalaia estejam desaparecendo rapidamente como resultado das alterações climáticas". "O que está acontecendo é comparável ao Titanic afundar-se mais lentamente que o esperado", disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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