O grupo rebelde liderado pelo general Laurent Nkunda e milícias que defendem o governo da República Democrática do Congo estão sendo acusados pelas Nações Unidas de cometer crimes de guerra. As supostas infrações teriam ocorrido na cidade de Kiwanja, no leste congolês, que foi tomada pelos homens de Nkunda na semana passada.

Testemunhas afirmam que vários civis morreram no confronto. No entanto, os investigadores da ONU afirmaram ainda não ter formado uma idéia clara do que aconteceu no local.

O chefe das forças de paz da ONU no Congo (Monuc), Alan Doss, afirmou que houve "matança sistemática de civis por diferentes grupos armados" na cidade, que fica a 80 quilômetros da capital do Estado de Goma.

Neste domingo, em Johannesburgo, na África do Sul, uma reunião de cúpula dos líderes dos países do sul da África vai discutir a violência no Congo, entre outros problemas do continente, como a crise política e econômica no Zimbábue.

Mortes de civis

A luta entre tropas do governo e rebeldes congoleses começou em agosto e já deixou cerca de 250 mil desabrigados.

A investigação da ONU foi aberta depois que a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch divulgou um relatório no qual afirma que civis foram mortos nas suas próprias casas em Kiwanja, tanto por grupos simpatizantes do governo que tentaram tomar a cidade quanto por rebeldes.

Oficialmente, pelo menos 26 pessoas morreram. O porta-voz militar da ONU Jean-Paul Dietrich afirmou que, algumas morreram em episódios de fogo cruzado, mas outras foram executadas sumariamente.

No sábado, uma reunião de líderes africanos em Nairóbi, capital do Quênia, pediu um cessar-fogo imediato nos conflitos da República Democrática do Congo e mais poderes às tropas de paz da ONU para que elas possam controlar a crise no país.

Eles também pediram a criação de um corredor humanitário para que ajuda possa chegar às milhares de pessoas que foram obrigadas a sair de suas casa por causa dos combates entre os rebeldes do general Nkunda e tropas governistas.

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