Goma (RDC), 6 nov (EFE).- As Nações Unidas acusaram hoje os rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) de violar o cessar-fogo no leste da República Democrática do Congo (RDC), ao ocuparem dois povoados, posteriormente recuperados por tropas governamentais.

O porta-voz militar da missão da ONU na RDC (Monuc), tenente-coronel Jean-Paul Dietrich, disse à Agência Efe, por telefone, em Goma, capital da província oriental congolesa de Kivu Norte, que guerrilheiros tutsis do CNDP ocuparam durante a manhã as povoações de Nyanzale e Kikuku.

As duas cidades, situadas 80 quilômetros ao nordeste de Goma, foram posteriormente recuperadas em uma contra-ofensiva pelas Forças Armadas da RDC, segundo Dietrich, que qualificou os fatos de "incidentes" provocados pelo CNDP, que é liderado por Laurent Nkunda.

A situação em Kivu Norte é cada dia mais tensa, após os enfrentamentos registrados depois da declaração do cessar-fogo pelos rebeldes de Nkunda, em 27 de outubro, quando chegaram perto de Goma.

Os rebeldes tutsis consideram, por sua parte, que com o reforço das tropas governamentais na cidade de Goma, "estão sendo geradas condições para a guerra", segundo disse à Efe seu porta-voz, Bertrand Bisimwa.

Segundo o porta-voz rebelde, o CNDP "mantém o cessar-fogo e as mesmas forças que tinha nos arredores de Goma, para onde não enviou reforços, mas está pronto para fazer isto" caso o Governo de Kinshasa, presidido por Joseph Kabila, continue mandando tropas.

"Nós pedimos à Missão das Nações Unidas na RDC que não deixasse entrar os militares (das Forças Armadas da RDC) em Goma, mas fez isto e chegaram mais", declarou Bisimwa.

Por este motivo, reiterou, "estão surgindo as condições para a guerra", que Nkunda afirmou que levará até Kinshasa para derrubar o regime de Kabila, caso este não aceite estabelecer as negociações diretas que solicitou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu hoje cessação das hostilidades entre grupos armados rivais no leste da RDC, cujos combates contribuíram para intensificar a violência na região.

A porta-voz da ONU, Michèle Montás, assinalou que o secretário-geral está muito preocupado com os enfrentamentos na zona de Rutshuru.

"Ele também ficou preocupado com a informação de que aconteceram esta manhã ataques do CNDP contra posições das Forças Armadas da RDC", apontou.

Montás ressaltou que Ban pede uma cessação imediata das hostilidades e a retirada das forças combatentes às posições anteriores a 28 de agosto, quando se retomaram os choques na província de Kivu Norte.

"Ele pede aos grupos armados envolvidos nos combates que apóiem os esforços para achar uma solução política à crise no leste da RDC e evitar atividades que aumentem o deslocamento e sofrimento da população civil", reiterou.

Nkunda acusa Kabila, entre outras coisas, de não proteger a minoria tutsi da RDC e permitir a presença em território do país de guerrilheiros hutus ruandeses, que são relacionados ao genocídio de Ruanda de 1994, no qual em 100 dias, calcula-se que foram assassinados 800 mil tutsis e hutus moderados.

Por outro lado, os capacetes azuis da Monuc receberam em Goma a ordem de abrir fogo contra os rebeldes se tentarem ocupar a cidade, afirma o subsecretário-geral das Nações Unidas para Operações de Paz, Alain Le Roy.

Desde que recomeçaram as hostilidades no leste da RDC em agosto passado, cerca de 250 mil pessoas foram deslocadas de suas casas na região, 100 mil delas durante a ofensiva do CNDP nas duas últimas semanas.

Dos cerca de seis milhões de habitantes que existem na província congolesa de Kivu Norte, calcula-se que um quinto, 1,2 milhão, vivem deslocado e em uma situação desesperadora, que se agravou nestas últimas semanas. EFE gp/rr

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