Por Patrick Worsnip NAÇÕES UNIIDAS (Reuters) - Um inquérito da ONU acusou Israel na terça-feira de agir com negligência e imprudência nos ataques de janeiro contra instalações das Nações Unidas na Faixa de Gaza.

O secretário-geral Ban Ki-moon, que em fevereiro nomeou uma comissão de quatro pessoas para investigar os incidentes, disse que pedirá indenização pelos danos, avaliados em mais de 11 milhões de dólares, mas não seguirá a recomendação do grupo para ampliar o inquérito.

Autoridades israelenses disseram que o relatório foi tendencioso e ignorou o fato de que Israel estava lutando contra uma organização "terrorista", o grupo islâmico Hamas.

As forças israelenses realizaram sua própria investigação da conduta das tropas e disseram no mês passado que nada de grave foi descoberto. Israel bombardeou Gaza em dezembro e janeiro para tentar impedir o Hamas de disparar foguetes contra seu território. Os combates mataram mais de mil palestinos, enquanto Israel registrou 13 mortes, sendo 10 militares e 3 civis.

O inquérito da ONU, comandado pelo britânico Ian Martin, ex-funcionário da ONG Anistia Internacional, investigou nove incidentes de danos a instalações da ONU e culpou Israel por sete deles. O Hamas foi responsabilizado por um caso, e em outro não foi possível atribuir culpas.

Em vários casos, Israel teria "quebrado a inviolabilidade das instalações das Nações Unidas", deixando mortos e feridos.

Um ataque com explosivos e fósforo branco em 15 de janeiro, contra um prédio da UNRWA (agência da ONU de apoio aos palestinos), foi considerado "flagrantemente negligente" pelo relatório. Três pessoas ficaram feridas.

Em outro incidente, em 6 de janeiro, as forças de Israel foram consideradas culpadas por não terem protegido civis e funcionários da ONU dos disparos de morteiros que caíram perto de uma escola da UNRWA em Jabalya, onde alguns palestinos haviam se refugiado. Sete pessoas ficaram feridas dentro da escola, e estima-se que 30-40 tenham morrido nos arredores.

Nesses e em outros incidentes, Israel disse que suas forças estavam reagindo a disparos palestinos.

Mas o relatório da ONU afirmou que as acusações de que militantes teriam feito disparos de dentro das instalações da ONU são "inverídicas, continuaram sendo feitas depois que já deveria se saber que eram inverídicas, e não foram adequadamente retiradas ou publicamente lamentadas".

Em 11 recomendações, a comissão disse que a ONU deveria exigir tal admissão e pleitear indenizações pelos danos. O grupo sugeriu também uma investigação imparcial sobre supostas violações do direito internacional por Israel e por militantes palestinos.

O vice-embaixador de Israel na ONU, Daniel Carmon, lamentou que o relatório tenha "se limitado aos fatos dos danos apenas, ignorando o contexto, ignorando que há uma guerra contra o terrorismo", disse ele à Reuters.

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