ONU acusa guerrilha de usar crianças de 12 anos em conflito no Sri Lanka

Nova Délhi, 25 abr (EFE).- A ONU acusou hoje a guerrilha tâmil de recrutar à força crianças até de 12 anos para combater a ofensiva final do Exército cingalês no nordeste do Sri Lanka.

EFE |

"Temos informações de que a guerrilha está recrutando crianças de 12 anos. Sabemos disso porque recrutaram a filha de 16 anos de um de nossos trabalhadores, que depois conseguiu escapar", disse por telefone à Agência Efe o porta-voz das Nações Unidas no país, Gordon Weiss.

Segundo o funcionário, os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE) chegaram a obrigar crianças de 12 anos a pegar em armas e a se posicionar na linha da frente do conflito travado na faixa litorânea de 10 quilômetros quadrados que o grupo controla no nordeste do país.

Algumas famílias, disse Weiss, tentaram resistir aos recrutamentos da guerrilha, que está cercada pelo Exército cingalês.

Porém, foram agredidas ou baleadas por se recusarem a entregar as crianças.

Segundo os analistas, os guerrilheiros dispõem de algumas centenas de homens para enfrentar o Exército do Sri Lanka, que cercou os LTTE após uma bem-sucedida ofensiva nos últimos 18 meses.

Em conversa com jornalistas, um militar cingalês disse hoje que a situação na faixa litorânea é tão ruim que as mães escondem seus filhos em buracos cavados no chão e cobrem estes para que os rebeldes não os achem.

A guerrilha, por sua vez, acusou hoje o Governo do Sri Lanka de genocídio e de crimes de guerra, por bloquear a distribuição de alimentos e remédios aos civis encurralados, situação que colocou milhares de pessoas à beira da inanição.

Nos últimos dias, aumentaram a preocupação internacional com a situação das vítimas do conflito, que já dura mais de 25 anos, e a pressão diplomática para que ambas as partes ponham fim aos combates.

Além disso, hoje está prevista a chegada ao Sri Lanka do subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, que estudará a situação dos civis no país.

Segundo a ONU, quase 6.500 civis morreram este ano vítimas dos combates no nordeste do Sri Lanka. EFE daa/sc

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