ONU acusa Colômbia de perseguir defensores de direitos humanos

Por Anastasia Moloney BOGOTÁ (Reuters) - Ativistas de direitos humanos estão sendo perseguidos na Colômbia e são sujeitos a prisões arbitrárias por parte de agentes de segurança do governo, disse a representante da Organização das Nações Unidas (ONU) para defensores de direitos humanos, Margaret Sekaggya, nesta sexta-feira.

Reuters |

As vítimas também acusam guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e de outros grupos armados de cometerem abusos, disse ela.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, principal aliado de Washington na América do Sul, tem recebido críticas há bastante tempo pela frágil situação dos direitos humanos no país.

"Uma razão principal para a insegurança dos defensores dos direitos humanos está na sistemática estigmatização dos defensores por parte de membros do governo", disse Sekaggya a repórteres no fim de uma missão de inspeção de duas semanas no país.

"Os defensores dos direitos humanos são repetidamente acusados por membros do alto escalão do governo de serem ou contribuírem com terroristas ou guerrilheiros", acrescentou.

A perseguição, às vezes envolvendo formas ilegais de investigação, levou a "procedimentos criminais infundados", acrescentou.

A Colômbia há 45 anos vive um conflito com as Farc e outros grupos armados financiados pelo tráfico de cocaína. Uribe é bastante popular pelo ataque às guerrilhas, mas a violação aos direitos humanos continua sendo um problema sério.

Perguntada se as Forças Armadas da Colômbia e agentes do departamento nacional de inteligência, conhecido como DAS, estavam envolvidos nas violações aos direitos humanos, Sekaggya disse que "as violações também são cometidas pelas agências de segurança."

Ex-juíza em Uganda, Sekaggya expressou preocupação com um escândalo envolvendo o DAS, que foi acusado de realizar escuta clandestina em agentes de direitos humanos, políticos, jornalistas e magistrados da Suprema Corte.

"Peço ao DAS que pare imediatamente", disse ela.

Uribe disse na quinta-feira que o DAS deveria ser desativado após várias polêmicas, sugerindo que a polícia nacional poderia assumir as responsabilidades do departamento de inteligência.

Democratas do Congresso norte-americano barraram um acordo de comércio com a Colômbia por considerarem que o governo de Uribe precisa ser mais ativo na proteção aos direitos humanos.

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