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ONU: acordo de Governo com radicais no Paquistão deixa população vulnerável

Islamabad, 27 jun (EFE).- A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Louise Arbour, pediu hoje ao Governo paquistanês que garanta a segurança de seus cidadãos, e assinalou que alguns dos acordos firmados pelo Executivo com grupos islamitas deixaram parte da população em situação vulnerável.

EFE |

"Os acordos de paz com alguns grupos de insurgentes cercearam a autoridade do Estado (...), deixando os aldeões vulneráveis a uma série de abusos sérios, como ataques a minorias e assassinatos", disse Arbour, em entrevista coletiva em Islamabad.

Arbour realizou no Paquistão sua última visita como alta comissária para os Direitos Humanos, e disse que a situação afetou especialmente as mulheres.

Também criticou o registro de "violações dos direitos humanos no contexto da luta contra o terrorismo".

"Vimos centenas de casos não resolvidos de pessoas desaparecidas", assinalou a alta comissária.

No vale de Swat (norte), onde o Executivo chegou em maio a um acordo de paz com os talibãs locais, pelo menos sete pessoas morreram esta semana em ataques contra um hotel e dez escolas femininas.

O novo Governo paquistanês, liderado pelo Partido Popular do Paquistão, da falecida primeira-ministra Benazir Bhutto, alterou a política contra o terrorismo que era empreendida pelo presidente Pervez Musharraf, e vem apostando no diálogo com os radicais que deixarem as armas, além de incentivar o desenvolvimento econômico do empobrecido cinturão tribal do país, fronteiriço com o Afeganistão.

Por outro lado, Arbour elogiou a iniciativa do Governo de comutar a pena de morte de milhares de condenados no Paquistão por prisão perpétua, uma medida que ainda tem que ser ratificada pelo presidente.

"Musharraf me expressou seu apoio (à iniciativa). Pedi ao Governo que se una à tendência global rumo à moratória no uso da pena de morte", acrescentou.

Das 31.400 pessoas condenadas no país, mais de 7 mil foram sentenciadas à pena de morte e se encontram em processo de apelação ou à espera de ser executadas, segundo a organização Human Rights Watch.

Em sua visita de três dias, concluída hoje, a diplomata se reuniu com Musharraf e com o primeiro-ministro Yousef Raza Gillani, assim como com outros líderes políticos do país. EFE igb/gs

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