ONU: Ação de Israel foi excessiva, mas bloqueio a Gaza é legal

Jornal antecipa trechos de relatório da organização sobre ataque israelense à frota humanitária turca que deixou 9 mortos em 2010

iG São Paulo |

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Navio Mavi Marmara, que leva ajuda a Gaza, ancorado no porto de Haifa, norte de Israel (23/07)
Uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu que Israel usou força “excessiva e pouco razoável” em um ataque a uma frota humanitária turca que deixou nove mortos em 2010. No entanto, a organização concluiu que o bloqueio naval à Faixa de Gaza, para onde a frota se dirigia, é legal.

As informações foram divulgadas pelo jornal americano The New York Times nesta quinta-feira, um dia antes da data marcada para a divulgação do relatório.

O documento diz que a frota de seis barcos "atuou de maneira imprudente ao tentar forçar o bloqueio naval" de Israel em torno de Gaza, que é uma “medida legítima de segurança” e está dentro das normas do Direito Internacional.

Além disso, diz que ao entrar no navio as forças israelenses encontraram “um grupo de passageiros que ofereceu uma resistência organizada e violenta”, tendo, então, de usar a violência para se defender.

O documento, porém, condena a força “excessiva” dos militares israelenses. "A decisão de Israel de tomar o controle dos barcos com tamanha força, a uma grande distância da zona do bloqueio e sem aviso prévio, foi excessiva e nada razoável", diz o texto. O relatório também condena a maneira como passageiros foram tratados após o incidente, passando por "torturas, assédio e intimidação", além de terem seus equipamentos confiscados "injustificadamente".

A investigação foi feita por uma comissão da ONU chefiada pelo ex-premiê neozelandês Geoffrey Palmer. A conclusão original estava prevista para fevereiro, mas foi adiada várias vezes na tentativa de melhorar as relações entre Israel e Turquia, que ficaram abaladas por causa do incidente.

Turcos e israelenses nunca chegaram a uma conclusão sobre o que aconteceu no incidente de 31 de maio de 2010, nem sobre qual deveria ser o teor do relatório, segundo diplomatas e funcionários da ONU. Por isso, segundo uma fonte da ONU, o relatório não é um "documento de consenso".

Israel, no entanto, expressou satisfação. "O resultado é que as ações israelenses foram legais", disse à Reuters um alto funcionário do governo, que não quis ser identificado. "Ele diz que o bloqueio naval era legal sob o direito internacional."

Esse funcionário considerou significativo também que o relatório confirme o direito de Israel de revistar embarcações em águas internacionais. Ele disse ainda que agora Israel e Turquia poderão deixar o incidente para trás e "avançar da nossa relação."

Oficialmente, no entanto, a chancelaria não se manifestou sobre o relato do New York Times, que obteve o documento antecipadamente. A missão turca junto à ONU também não quis fazer comentários.

Ancara vinha exigindo desculpas de Israel pela abordagem, algo que o governo israelense se recusa a fazer - embora o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenha lamentado as mortes a bordo.

Israel diz que o bloqueio a Gaza é uma precaução para evitar o tráfico de armas por mar para o grupo islâmico Hamas e para outras guerrilhas palestinas. Os palestinos e seus simpatizantes afirmam que o bloqueio é uma punição coletiva ilegal, posição que alguns funcionários da ONU têm acatado.

Com AFP, EFE e Reuters

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