ONU abre tribunal para julgar suspeitos por morte de Hariri

Uma corte internacional criada para julgar os suspeitos pela morte do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri foi aberta oficialmente neste domingo, na Holanda. O tribunal em Haia deve pedir ao Líbano que entregue quatro generais pró-Síria, presos semanas depois do assassinato de Hariri, em fevereiro de 2005.

BBC Brasil |

Hariri e outras 22 pessoas morreram quando uma enorme explosão atingiu o comboio em que ele viajava, em Beirute.

O ex-primeiro-ministro era visto como uma figura contrária à influência síria no Líbano, e seus aliados acusam ao governo do país vizinho de envolvimento, o que Damasco nega.

Ainda não foi determinada a data do julgamento e representantes da corte disseram que os procedimentos podem durar até cinco anos.

O filho de Hariri, Saad, recebeu positivamente à notícia.

"Estávamos esperando por esse tribunal há bastante tempo, e finalmente, vemos um sinal de que a impunidade no Líbano vai encontrar seu caminho de saída, e todos os assassinatos vão terminar", disse ele à BBC.

O promotor canadense do Tribunal, Daniel Bellemare, tem 60 dias para pedir que as autoridades libanesas entreguem os suspeitos, que seriam transferidos para o Tribunal Especial pelo Líbano.

Bellemare afirmou que vai fazer o pedido "o mais rapidamente possível".

"Vou pedir o indiciamento quando estiver pessoalmente e profissionalmente satisfeito de que tenho evidências suficientes", disse ele na cerimônia de abertura do tribunal.

Os quatro suspeitos eram generais simpatizantes da Síria que ocupavam altos cargos na infra-estrutura de segurança do Líbano.

São eles o ex-chefe da Segurança Geral, general Jamil al-Sayyad, o ex-chefe da polícia, general Ali Hajj, o ex-chefe da inteligência militar, general Raymond Azar e o comandante da Guarda Republicana, Mustafá Hamdan.

A corte para o Líbano, que conta com 11 juízes, foi criada pela ONU em 2007, mas a cerimônia oficial de abertura só foi realizada neste domingo.

Segundo a correspondente da BBC em Beirute Natalia Antelava, muitos libaneses aguardavam ansiosos a abertura do tribunal.

O assassinato de Hafik Hariri causou tanta revolta entre os libaneses que a Síria foi forçada a retirar suas últimas tropas do país depois de 30 anos de presença militar.

    Leia tudo sobre: líbano

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG