O aquecimento global prossegue em escala mundial, mas 2008 foi menos quente que 2007, apesar de constituir o décimo ano mais cálido em quase 160 anos, anunciou nesta terça-feira a Organização Meteorológica Mundial em seu relatório anual.

"A temperatura global" do ano que termina "o coloca em décimo lugar entre os anos mais quentes" desde 1850, quando começaram as medições, disse em Genebra Michel Jarraud, diretor-geral da OMM, ao apresentar o relatório à imprensa.

"A tendência (de aquecimento global) se confirma claramente", destacou Jarraud, lembrando que os nove anos mais quentes que 2008 estão, justamente, entre os últimos 12.

A OMM explicou que a leve queda de temperatura em 2008 foi provocada pelo fenômeno La Niña, que se formou na segunda metade de 2007 e permaneceu até meados deste ano.

La Niña, um esfriamento das águas superficiais do Pacífico, e seu oposto, El Niño (aquecimento), são considerados responsáveis pela seca prolongada que tem afetado a Austrália e o sudeste dos Estados Unidos, e pelas inundações na Bolívia e no Chifre da África.

Segundo Jarraud, em 2009 não ocorrerão nenhum destes fenômenos.

O diretor-geral da OMM manifestou preocupação com o degelo da camada glacial do Ártico, que permitiu, pela primeira vez, a passagem de navios da costa canadense à costa siberiana.

A camada de gelo marinho do Ártico se reduziu durante a temporada de fusão até atingir seu segundo nível mais baixo desde que começaram as medições por satélite, em 1979, destacou a OMM.

No hemisfério sul, o buraco na camada de ozônio atingiu os 27 milhões de km2, inferior aos 29 milhões de 2007, mas superior aos 25 milhões de 2006.

Sobre 2009, a OMM disse que ainda é cedo para se fazer previsões, mas destacou que um estudo do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC em inglês) da ONU acredita em uma elevação de média de 0,2 grau na próxima década.

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