Fernando A. Busca Tóquio, 6 jul (EFE).

- O Japão liberou os protestos contra a cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne as sete nações mais industrializadas e a Rússia) e as políticas econômicas e sociais das nações mais ricas, embora a distância e os altos custos do país asiático tenham impedido a viagem de muitos ativistas.

Além do grande aparato de segurança comum a esse tipo de evento, as ONGs enfrentam outros problemas: os altos custos que uma viagem ao Japão demanda, a posição geográfica remota de Hokkaido (norte) e o isolamento da sede da cúpula.

Os presidentes e primeiros-ministros dos países mais industrializados do mundo se reunirão em um exclusivo e isolado hotel de luxo situado no alto de uma colina, que tem uma belíssima vista para o oceano e o lago Toya, e onde só será possível chegar por uma estrada.

A própria Cúpula Alternativa em oposição ao G8 adverte em seu site que será "difícil chegar à região do lago", onde acontecerá o encontro dos líderes do grupo, por isso a maioria das atividades das ONGs serão realizadas em Sapporo, também em Hokkaido mas em um local distante da reunião, e Rusutsu, onde está o centro de imprensa.

As autoridades japonesas permitirão que até mil ativistas durmam em dois acampamentos em Toyoura, a cerca de 16 quilômetros da sede da cúpula, e em Sobetsu, a 18 quilômetros.

A primeira ação com visibilidade foi uma passeata pela paz programada para o último sábado, no centro de Sapporo, cuja organização esperava reunir "entre três e quatro mil pessoas", a maior parte delas japonesas.

Mika Ohbayashi, porta-voz do Instituto para Políticas Energéticas Sustentáveis, entidade que coordenará a ação da maioria das ONGs em Hokkaido, disse à Agência Efe que não são esperadas ações violentas.

"Estamos falando do Japão", ressaltou Ohbayashi em referência ao caráter pacífico dos japoneses.

Segundo o porta-voz, as atividades de Sapporo, como seminários, conferências e conversas, reunirão "entre mil e duas mil pessoas" e "mais de 200 organizações", algumas delas de grupos antiglobalização comprometidos "contra as ações violentas".

As dificuldades das ONGs para manifestações são claras, entre elas a grande vigilância colocada pelo Governo japonês no aeroporto internacional de Narita, em Tóquio, onde Ohbayashi denuncia que se está se dificultando a entrada de alguns ativistas.

Mas a capacidade de ação das ONG não depende exclusivamente de sua proximidade geográfica com a sede da cúpula.

Há alguns anos suas reivindicações que questionam o modelo de desenvolvimento seguido pelos países ricos começaram a penetrar nas agendas dos líderes mundiais, o que foi intensificado pelos dados fornecidos por cientistas.

De fato, o Japão fez da redução de emissões de gases causadores do efeito estufa um dos principais objetivos da cúpula de Hokkaido, além de outros assuntos que agradam o mundo das ONGs, como o desenvolvimento da África.

O ativista Gordon Shepherd, diretor internacional do World Wide Fund for Nature (WWF), disse esta semana que "ainda há muito trabalho" a ser feito.

Porém, de olho na influência sobre os líderes mundiais, cerca de 100 representantes de organizações ambientais e de defesa do desenvolvimento já anunciaram que estarão presentes no centro de convidados, onde farão o possível para exercer pressão.

O porta-voz da WWF, Christian Tariete, disse à Efe que algumas organizações enviarão equipes para tentar interferir no trabalho da imprensa.

De acordo com ele, os ativistas farão ações de "lobby" por telefone com os líderes "do outro lado da cerca".

Tariete comentou que em Hokkaido haverá o "colorido carnaval" habitual às cúpulas, mas ressaltou que as ONGs também se movimentarão para tentar influir nas decisões dos líderes dos países mais importantes do mundo. EFE fab/rr

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