ONGs exigem libertação de 4 ativistas seqüestrados no Zimbábue

Johanesburgo, 10 dez (EFE).- As organizações de ajuda humanitária Anistia Internacional, Human Rights Watch (HRW) e Instituto de Abertura Social exigiram hoje em comunicado a libertação imediata dos quatro ativistas seqüestrados há uma semana, presumivelmente por parte das autoridades do Zimbábue.

EFE |

Na quarta-feira passada, 3 de dezembro, a diretora da organização Projeto de Paz do Zimbábue, Jestina Mukoko, foi detida ilegalmente por um grupo de homens armados que se apresentaram como policiais, e desde então não se revelaram dados de seu estado nem de seu paradeiro.

Dois dias depois, Zacharia Nkomo, irmão de Harrison Nkomo, outro importante ativista que estava investigando a detenção ilegal de Mukoko, foi detido em sua casa por quatro homens que não estavam uniformizados.

Além disso, na segunda-feira passada, dois empregados do Projeto de Paz do Zimbábue, Broderick Takawira e Pascal Gonzo, também foram detidos, esta vez por cinco homens que também não se identificaram e que entraram no local da ONG à força.

Segundo a secretária-geral da Anistia Internacional, Irene Khan, o seqüestro de ativistas "mostra a audácia de um regime que quer se agarrar ao poder desesperadamente", pelo que "a única solução ao problema é através de uma pressão unificada do exterior, especialmente por parte dos líderes africanos".

As três organizações pediram em comunicado à União Africana (UA), à Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (Sadc) e às Nações Unidas que liderem uma pressão internacional sobre o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, no poder desde a independência do país, em 1980.

Apesar de todos os sinais indicarem que os seqüestradores trabalham para as autoridades zimbabuanas, não há certeza.

Por isso, as ONG apontam que, deixando à margem a autoria do rapto, a Polícia do Zimbábue tem a responsabilidade de determinar e revelar o paradeiro dos seqüestrados. Se não o fizerem, incorrerão em um crime que viola as leis internacionais.

Os cidadãos do Zimbábue enfrentam uma epidemia de cólera que matou já 746 pessoas, uma inflação que alcança 231.000.000% e um Governo que resiste a abandonar o poder apesar da caótica situação do país, causada, em grande medida, pela reforma agrária, de cunho racial, que Mugabe impôs em 2000, tomando à força as terras de fazendeiros brancos. EFE hc/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG