ONGs denunciam estupros e trabalhos forçados na RDC

JOHANESBURGO - A ONG Intermón Oxfam denunciou hoje o brutal aumento de agressões, estupros e trabalhos forçados contra a população do oeste da República Democrática do Congo (RDC), e a Human Rights Watch (HRW) pediu à ONU o envio de mais tropas diante dos ataques a civis registrados também no leste do país.

EFE |

Segundo a Intermón Oxfam, as localidades de Kibati e Kanyabayonga, ao norte de Goma - capital da província de Kivu Norte -, e as de Sake e Minova, ao sul da cidade, foram as mais afetadas, com denúncias de estupros e recrutamento de crianças por parte dos rebeldes.

A região de Kivu Norte (oeste) é, há dois meses, cenário de confrontos entre o Exército da RDC e os rebeldes do Congresso Nacional para a defesa do Povo (CNDP), liderados por Laurent Nkunda, embora outros grupos tenham se unido ao conflito.

AP
Pessoas carregam sacos de alimentos distribuídos em campos para refugiados

Apesar de nas últimas horas a ONU ter conseguido chegar com mais de 65 toneladas de alimentos a Rutshuru, região tomada pelos rebeldes há três semanas, a situação humanitária continua à beira do colapso.

Na população de Kanyabayonga, os centros médicos trataram mais de 66 casos de estupro na última semana, embora o número real possa ser muito maior, já que muitas mulheres não denunciam o abuso, segundo a ONG.

Grupos armados forçam os civis de Kibati, Sake e Minova a transportarem água e madeira e recrutam crianças, que chegam aos campos de refugiados sem a companhia de seus parentes. Na semana passada, quase 40 menores de idade foram recrutados.

Em comunicado, a organização assegura que "está claro que milhares de pessoas no leste da RDC não estão recebendo a proteção de que (...) necessitam".

Rebelião avança

A rebelião de Laurent Nkunda avançou pelo menos 20 km no leste da República Democrática do Congo (RDC) e nesta quinta-feira estava às portas de Kanyabayonga, uma cidade estratégica, segundo fontes concordantes.

Esta cidade, a cerca de 100 km ao norte de Goma - capital da província de Kivu Norte - havia sido no início da semana cenário de saques e atrocidades em grande escala cometidos por soldados congoleses, insatisfeitos pela decisão do Exército de efetuar um envio operacional.

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