ONGs criticam resultado de encontro da ONU sobre crise mundial

Por Louis Charbonneau NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Grupos antipobreza expressaram profundo desapontamento nesta sexta-feira com os resultados de três dias de reuniões na ONU sobre a crise financeira mundial, dizendo que os participantes não se pronunciaram sobre a condição difícil das nações pobres.

Reuters |

Depois de semanas de negociações sobre um conjunto de propostas para a reforma do sistema financeiro mundial, os membros da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas devem aprovar uma declaração generalista, mas que inclui um chamado para o aumento do envolvimento da ONU na elaboração de políticas econômicas mundiais.

Organizações não-governamentais que se concentram no combate à pobreza no mundo apoiaram a ideia de maior envolvimento da ONU na economia global, mas disseram que a declaração é inadequada.

O Global Social Economy Group (ou GSEG), uma organização que representa mais de 200 sindicatos, movimentos sociais e ONGs, afirmou em um comunicado que está "seriamente desapontado com o documento final produzido pelo evento".

"De maneira alguma os resultados da conferência estão à altura das ações necessárias para enfrentar a escala e profundidade da desaceleração da economia, o que é mais evidente na crise de empregos, especialmente nas nações em desenvolvimento", afirmou o comunicado.

O GSEG disse que a declaração é pouco mais do que um apelo, sem a obrigatoriedade de ser cumprido, por medidas de estímulo fiscal mais fortes no mundo, efetivação das promessas de ajuda, alívio de dívidas e novas doações a países pobres.

Gemma Adaba, da Confederação Internacional dos Sindicatos, disse que a declaração "é bastante obscura no que se refere a ações decisivas". Ela acrescentou que o documento não aponta mecanismos para assegurar que os países ricos mantenham suas promessas de elevar a ajuda ao mundo em desenvolvimento e realizar as reformas necessárias no FMI e Banco Mundial.

Diplomatas do Grupo dos 77, que reúne países em desenvolvimento, se queixaram de que o documento final é decepcionante, mas disseram ser positivo o fato de tratar de todos os assuntos essenciais.

Para agravar os problemas, diplomatas disseram que Estados Unidos e União Europeia devem divulgar comunicados nos quais se distanciam do tom da declaração, que segundo esses diplomatas será adotada por unanimidade por aproximadamente 140 nações participantes da conferência.

Os diplomatas afirmaram que os comunicados dos EUA e dos europeus vão levantar dúvidas sobre seu comprometimento com a implementação da declaração.

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