ONG Médicos sem Fronteiras diz que sistema de saúde está em colapso no Haiti

México, 13 jan (EFE).- A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) classificou hoje de caótica a situação do Haiti, após o tremor de 7 graus da terça-feira e afirmou que o sistema de saúde do país está em colapso.

EFE |

Em comunicado emitido no México, a organização divulgou o depoimento de Stefano Zannini, um dos chefes de missão desta ONG na nação, que relatou danos severos em hospitais e informou que "há corpos por toda parte".

"A situação é caótica" afirmou Zannini, que acrescentou que grande parte da cidade está sem eletricidade e telefone.

"O povo reúne-se nas ruas, acende fogueiras e tenta ajudar os moradores. Quando as pessoas veem o logotipo dos Médicos sem Fronteiras, correm para pedir ajuda, querem que atendam seus familiares e vizinhos. Há uma enorme solidariedade entre as pessoas", assinala no comunicado.

Outro coordenador da ONG no Haiti, Hans van Dillen, disse que Porto Príncipe não tinha preparação para um terremoto destas dimensões e afirmou que "há centenas de milhares de pessoas dormindo nas ruas".

Van Dillen explicou "que os feridos apresentam fraturas expostas, lesões cranianas e queimaduras e lamentou que o maior problema esta no fato de não ter para onde levar os pacientes para cirurgias mais complexas".

As estruturas do sistema hospitalar haitiano ficaram gravemente danificadas, segundo MSF, quem constatou o "colapso parcial" de dois dos três centros de saúde que a ONG administra no país.

MSF afirmou que "os danos materiais (em hospitais) são graves e o número de vítimas (tanto pacientes como de funcionários) ainda não foi determinado".

No comunicado, a organização detalha que a clínica Martissant foi evacuada pelos graves danos sofridos e depois foi instalada uma barraca do lado de fora do hospital, onde pelo menos 350 pessoas foram atendidas durante a noite, principalmente com fraturas e queimaduras produzidas pelas explosões de gás em prédios.

O hospital Solidarité, uma maternidade, está funcionando como centro de emergências, apesar de ter sofrido alguns danos, e o hospital Trinité teve o teto do primeiro pavimento destruído e deixou um número de vítimas indeterminado.

O Centro de Reabilitação atendeu a 400 pessoas durante a noite e no seu escritório administrativo em Petionville - também em Porto Príncipe - foi montada uma base onde 200 receberam atendimento, a maioria com traumatismo, referiu a organização.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 11 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu na tragédia. EFE pvo/dm

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