ONG inglesa diz que documentário incita ódio contra índios brasileiros

Londres, 19 mar (EFE).- A ONG inglesa Survival, que atua em defesa dos direitos dos povos indígenas, criticou hoje os responsáveis pelo polêmico filme Hakani (2008), entre eles o cineasta David Cunningham, por incitar o ódio contra os indígenas brasileiros.

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Segundo a ONG, os produtores do documentário - visto por mais de 350 mil pessoas no portal de vídeos YouTube -, asseguram que o filme se baseia na história real de uma criança indígena brasileira enterrada viva por sua tribo.

No entanto, a Survival alega, em comunicado, que o filme é "falso", assim como a denúncia de "Hakani" de que o infanticídio entre os índios brasileiros é uma prática comum.

Na nota, divulgada por ocasião da celebração no próximo sábado do Dia da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial, o diretor da ONG, Stephen Corry, afirma que "o filme se baseia em algo que diz ocorrer rotineiramente nas comunidades indígenas, mas que não acontece" realmente.

"O infanticídio amazônico é pouco frequente. Quando ocorre, se trata da decisão da mãe e não é tomada de forma superficial. É feito de forma privada e secreta, e frequentemente é considerado vergonhoso, certamente trágico", diz Corry.

De acordo com a Survival, David Cunningham, diretor da fita, é "filho do fundador de uma organização missionária fundamentalista americana chamada 'Jovens com uma missão', que tem uma filial no Brasil conhecida como Jocum".

Corry acredita que o filme é "parte da campanha dos missionários para pressionar o Governo brasileiro a aprovar uma polêmica lei conhecida como 'Lei Muwaji'".

Segundo a Survival, essa lei forçaria os cidadãos brasileiros a informar às autoridades sobre tudo aquilo que possa ser considerado como "prática tradicional prejudicial".

A ONG denuncia que essa lei daria origem a uma "caça às bruxas", faria o Brasil "retroceder séculos" e poderia provocar uma "ruptura social".

O comunicado termina dizendo que "a Survival acredita que as práticas culturais devem ser baseadas no livre e bem informado consentimento de todos os participantes e que o infanticídio é errado". EFE pa/bba/an

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