ONG exige que G8 assuma compromisso sobre remédios para aids

México, 4 ago (EFE).- A ONG Oxfam Internacional e sua embaixadora mundial, a cantora escocesa Annie Lennox, exigiram hoje que os países do Grupo dos Oito (G8, que agrupa as sete nações mais desenvolvidas e a Rússia) cumpram com o compromisso de assegurar até 2010 o acesso universal de remédios para o tratamento do HIV.

EFE |

"A aids e o HIV são a pior crise global humanitária enfrentada pelo mundo", disse Robert Fox, diretor da Oxfam no Canadá, que criticou que as principais potências do planeta "prometeram muito pouco dinheiro" para combatê-la.

Durante uma coletiva de imprensa, em meio à 17ª Conferência Internacional sobre Aids ("Aids 2008"), Fox expressou também a preocupação da Oxfam com a qualidade da ajuda dada por alguns países, que deve ser "de longo prazo e sustentável".

A assessora em políticas sanitárias da Oxfam, Mogha Kamal-Yanni, lembrou que os países do G8 (Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Itália, Alemanha, França, Rússia e Canadá) prometeram em 2005 assegurar o acesso universal.

Segundo ela, conseguir a disponibilidade mundial de remédios é "possível" e, para isso, são necessários cerca de US$ 80 bilhões entre 2008 e 2010.

Kamal-Yanni afirmou que a ajuda destinada pelos doadores para combater a aids na África deve ser confiável, previsível e não pode estar fragmentada, ou caso contrário, aumentará a fragilidade dos sistemas de saúde das nações africanas, as mais atingidas com dois terços das pessoas contagiadas.

Outro elemento importante na luta contra a aids nesse continente é aumentar em um milhão de pessoas a presença de médicos e enfermeiras, já que, por exemplo, em países como Malauí há apenas 266 doutores e uma população de 13,5 milhões, afirmou o especialista.

Além disso, para ampliar as possibilidades de acesso aos remédios e tratamentos, Kamal-Yanni declarou que se deve defender o trabalho de países produtores de remédios genéricos, como Índia.

"A Índia é a farmácia do mundo, fornece 80% dos anti-retrovirais para os países em desenvolvimento. Entretanto, esta situação está em risco, pois o país integra a Organização Mundial do Comércio (OMC), o que a sujeitará a normas comerciais de propriedade intelectual que restringirão as possibilidades da entrada de genéricos no mercado", sustentou.

Segundo ela, isso ameaça aumentar os preços dos remédios no mundo todo.

Já Lennox, embaixadora mundial da Oxfam e ativista, afirmou que com "sistemas de saúde decentes, tratamento e nutrição é possível salvar e estender milhares de vidas".

Lennox destacou que um dos aspectos mais importantes na luta contra a aids é impedir que as mães tenham acesso a cuidado médico para evitar que seus filhos nasçam com a doença, já que em países como a África do Sul um terço das mulheres grávidas possuem o vírus.

A artista liderou um ato de protesto após a coletiva de imprensa na qual apareceu junto a um imenso aviso vermelho com a palavra "Access" (acesso em inglês). EFE jd/rb/rr

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