Washington, 18 fev (EFE).- A ONG americana Casa de Maryland denunciou hoje que agentes do Escritório de Imigração dos Estados Unidos detiveram em 2007 um grupo de 24 hispânicos de forma irregular no estacionamento de uma loja para completar suas cotas de detenção.

A ONG apresentou uma pesquisa interna do departamento de Segurança Nacional realizada depois da operação, que aconteceu em frente a uma loja da cadeia 7-Eleven, o que demonstra que há contradições nas declarações dos agentes.

"Primeiro disseram que foram comprar algo porque estavam com fome e os imigrantes se aproximaram e falaram que procuravam por trabalho", motivo pelo qual foram supostamente detidos, explicou à Agência Efe Mario Quiroz, um porta-voz da Casa de Maryland.

No entanto, o vídeo de segurança da loja, ao qual a ONG teve acesso, mostra que os agentes detiveram alguns imigrantes com quem não chegaram a conversar.

"Detiveram alguns que estavam dentro da loja e outros que estavam esperando o ônibus na rua ao lado", indicou Quiroz, que acrescentou que a gravação também mostra que os detidos foram apenas os que possuem traços latinos.

Os agentes faziam parte de um grupo especial do Escritório de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla em inglês), criado depois dos atentados de 11 de Setembro para deter suspeitos de terrorismo e criminosos perigosos com ordem de deportação.

Dos 24 detidos naquela manhã, 14 não tinham recebido qualquer notificação para deixar o país ou qualquer antecedente criminal, mas não tinham visto de residência.

Segundo a Casa de Maryland, os agentes acabavam seu turno de guarda e, como não tinham completado sua cota de detenções, foram a um local frequentado por trabalhadores hispânicos.

"O desespero de atingir uma cota levou os efetivos do ICE a cometer estas detenções com o único critério de que pareciam hispânicos", indicou a organização. EFE elv/mh

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